quinta-feira, 7 de abril de 2016

Sigmund

Meu doce amor, nunca lhe escrevi deste lugar. Estou sentado à escrivaninha de Fleischl enquanto ele dorme no quarto ao lado e não sei quanto tempo poderei escrever.

Estou lhe escrevendo porque me arrependo profundamente das palavras que lhe escrevi esta tarde. Não sei como você receberá o que eu disse, e é por isso que estou fazendo este aditamento. Sinto tão terrivelmente se disse algo que tenha soado sem amor, e especialmente a esta distância. Quando estamos juntos, uma palavra séria ou severa pode ser imediatamente seguida de uma terna reconciliação, e a pequena tempestade apenas testemunha a solidez da estrutura. Mas quando estamos separados, cada palavra tem tempo de gravar-se na nossa memória, e não há mão amiga que consiga aplacá-la. Não sei que fazer. Simplesmente não podia aceitar o que você queria fazer sem opor sérias objeções, (compreendo como se pode ofender com amor a pessoa que mais se ama), e no entanto estou, depois que tudo passou, inclinado a deixar que tudo aconteça em vez de levar você à beira das lágrimas...

Seu devotado

Sigmund

à Martha Bernays.
Viena, domingo, 5 de julho de 1885.
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Retirado do jornal Correio Brasiliense, na data de 4 de julho de 2000.

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