segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Noite luzidia



Era um rebento alvo e puro
Reluzente como tu sempre foste
Era assim, calada, trêmula 
Carne calma, clara, luzidia
Mais tua que minha em todos os traços
Sorriso manso
Muito embora,
a isso não tenha puxado nem a mim 
nem a ti.
Nós, aves de rapina
Ela garça alba rara
voo rasante.

Tinha espírito livre
como eu e tu sempre tivemos
e por isso nunca nos pertecemos
Nem eu a ti
Nem a ninguém

Sonhei contigo em mim
E era minha também
Ela esperara por alguém
Sempre esperara alguém
E nisso era tão sublime
tão suave 
Tão minha
tão eu em outra pele
clara pele
branca como neve 
E ainda assim vinha de mim
Era fora de mim.

Foi sonho
E foi tão cheio de verdade e mistério
como sempre fomos
Minha criança era tua
tão tua que pousava abandonada.

Este poema nasceu de um sonho. Eu queria que isso acontecesse mais vezes: sonhar tão significativa e profundamente que me nasce um filho, uma árvore, um poema, um vulcão em erupção, uma borboleta de um casulo, um livro inteiro, um mundo intenso, um rebento que não se esperava, e que nasceu em 24/05/2014. Isto é um post republicado.

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