Sobre amor





Eu ia escrever algo sobre as minhas parcas compreensões sobre o amor, mas o texto me escapou. Guardei o que pude, fiquei com o que sobrou das coisas que vi, ouvi e senti nos últimos dias e resolvi colocar tudo aqui. Há um tempo atrás, eu tinha um monte de raciocínios e regras de merda sobre o amor. Achava que eram meus valores, achava que era parte da cultura. Agora acho tudo mais confuso que antes. 

De uma coisa não abri mão, e isso é o mais libertador: cada dia me amo mais e posso exercer esse amor com a leveza, compromisso e responsabilidade que eu aprecio: sei quem eu sou e do que gosto; procuro meu prazer, cuido do meu corpo, alma e espírito; me dou flores; me respeito; sei como quero e mereço ser tratada; continuo em busca das mesmas coisas que antes, mas deixei a pressa pra quem está na fila do transplante; respeito meus limites (mesmo provocando em mim mesma a vontade de ampliar o alcance dos meus muros).

Não procuro o amor, porque não quero perder meu tempo. Procuro alguém que queira construir amor em uma relação a dois (sim, eu ainda tenho a romântica certeza que esse tipo de relação é mais fácil quando é exclusiva de apenas duas pessoas). Não sei se existe lugar certo ou errado pra essa pessoa estar. Mas assim como já desviei do caminho algumas vezes, acho possível que ela esteja por aí, em qualquer canto ensolarado do mundo, se divertindo, cuidando de si. O amor não está solto, vagando por aí nos lugares errados, ele mora em alguém, ele é substrato de alguém.


Amor não é sentimento. É atitude, compromisso, substrato. 

substrato: do Lat. substratu, estendido no chão

s. m.,
o que existe nos seres, independentemente das suas qualidades;
o que forma a parte essencial do ser;
o que serve de suporte às qualidades; 

camada inferior; 




Sim, eu continuo procurando sentido nisso, mas continuo achando que não há sentido algum em procurar ou ser encontrado por algo ou alguém. Pode parecer confuso, mas pra mim é isso.
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Foto 1: @johnnypeter, tirada desta mistape e inspirada na música abaixo, do grupo Fino Coletivo (que eu amo!).
Fonte sobre substrato: Priberam;
Foto 1: Uma calçada do bairro de São Francisco, em Niterói, clicada por Elizabeth Maia na tarde de 16/08/2015.




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