quinta-feira, 21 de maio de 2015

Tinder, Happn, Pof, Badoo, OkCupid, etc.

Nesse mundo mecânico de hoje, onde os encontros pessoais dependem cada dia mais dos encontros virtuais proporcionados pelos aplicativos da vida... Por meio de uma postagem no Facebook, de um dos meus cronistas favoritos, o Gilberto Amendola, que fez um texto ótimo sobre sua experiência no Happn, aplicativo de encontros amorosos, uma das amigas dele postou esse poema que eu copiei abaixo. Achei muito pertinente, e muito bonito. Por isso resolvi postar aqui.


"Amor à primeira vista", de Wislawa Szymborska (para Mariana)


"Ambos estão certos
de que uma paixão súbita os uniu.
É bela essa certeza,
mas é ainda mais bela a incerteza.

Acham que por não terem se encontrado antes
nunca havia se passado nada entre eles.
Mas e as ruas, escadas, corredores
nos quais há muito talvez tenham se cruzado?

Queria lhes perguntar,
se não se lembram -
numa porta giratória talvez
algum dia face a face?
um 'desculpe' em meio à multidão?
uma voz que diz que 'é engano' ao telefone?
- mas conheço a resposta.
Não, não se lembram.

Muito os espantaria saber
que já faz tempo
o acaso brincava com eles.

Ainda não de todo preparado
para se transformar no seu destino
juntava-os e os separava
barrava-lhes o caminho
e abafando o riso
sumia de cena.

Houve marcas, sinais,
que importa se ilegíveis.
Quem sabe três anos atrás
ou terça-feira passada
uma certa folhinha voou
de um ombro ao outro?
Algo foi perdido e recolhido.
Quem sabe se não foi uma bola
nos arbustos da infância?

Houve maçanetas e campainhas
onde a seu tempo
um toque se sobrepunha ao outro.
As malas lado a lado no bagageiro.
Quem sabe numa noite o mesmo sonho
que logo ao despertar se esvaneceu.

Porque afinal cada começo
é só continuação
e o livro dos eventos
está sempre aberto no meio."

(Do livro Poemas, tradução de Regina Przybycien, publicado pela Companhia das Letras.)

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Armadilhas

Eu abri toda a casa pra te esperar 
enfeitei as janelas do coração 
quem mandou eu me arder nesse fogo assim? 
Não valeu: quase nada sobrou de mim 

Iludir 
é uma coisa que fazes bem 
humilhar e trair fazes bem melhor 
Há um porém: armadilhas não são fiéis 
podem até te trair e engatar teus pés 

Deixa estar 
que das cinzas vou renascer 
te ofuscar mais que o brilho do próprio sol 
o amanhã quem dispõe ao seu modo é Deus 
e só Deus sabe atar, desatar seus nós 

Vai te impor um castigo atroz 
(quem trair vai ficar a sós) 

vais gritar de perder a voz 
(e virar o seu próprio algoz) 

flutuar numa dor feroz 
feito a casca de uma noz 

e se desenrolar, após, 
fio a fio que nem retrós 

pelo abismo de uma foz 
sem ninguém segurar-lhe o cós 

vai voar, vai sumir, veloz 
pelos céus como um albatroz 

** 
CD: "Divino Samba Meu" 
Dona Inah 
ARMADILHAS 
Composição: Ataulfo Alves/Hermínio Bello de Carvalho

Aplicada a conhecer e entender de Cinema

Então... há algum tempo eu ando incomodada com o meu pouco conhecimento sobre cinema aliada a uma péssima memória dos filmes que assisto. Co...