Céu!!!

Oi meu povo!

Então, vou começar o blá blá blá falando do primeiro disco da cantora paulista Céu, cujo título leva seu lindo nome. Ele foi lança do em 2005 mas, eu só o conheci ano passado, ao ficar curiosa por causa do nome que aparecia na lista dos artistas disponíveis para download no blog "Um que tenha". Aliás, esse blog é ótimo para quem gosta de "baixar" música brasileira boa e "desconhecida" pelo grande público.

Voltando ao Céu, e à Céu, pra mim foi uma grata surpresa ouví-la porque ela consegue integrar de forma muito agradável o moderno e o antigo, a batida eletrônica e o gingado do samba, música brasileira com cara internacional, lançando seu disco multicultural, poético e divertido e estreiando muito bem no mundo musical.

Produzido pelo compositor e multiinstrumentista Beto Villares, o disco começa com a "Vinheta quebrante" que exerce muito bem o seu papel de "quebra gelo" e deixa todo mundo curioso pra saber o que vem depois daquela percussão meio africana, pontuada por um piano e pela voz da Céu falando coisas ininteligíveis. A vinheta se mistura com a faixa n° 2, de sua autoria. "Lenda" é uma inovadora mistura de hip-hop com jazz, com piano bem marcado, e que na minha opinião é uma das melhores músicas do disco, pois combina a sutil sensualidade da voz meio rouca da cantora, com uma característica curiosa da sua forma particular de cantar: em algumas palavras ela não pronuncia muito bem o final, usa "notas fantasma", o que acrescenta à faixa uma musicalidade singular, que faz com que a frase fique bem mais leve. A letra é um charme à parte:

"Tome tento
Fique esperto
Hoje não tem papo
Jogo-lhe um quebrante
Num instante
Você vira sapo
Bobeou na crença
Príncipe volta ao seu posto de lenda"

A sonoridade que essas palavras trazem à pronuncia é muito divertida e exige um pouco de atenção do ouvinte.

Bem, no mais, o disco traz "Malemolência" onde fica expliícita a influência que o Choro traz ao disco (e que se mostra também na valsa chorada "Valsa pra Biu Roque") .

O reggae aparece em "Céu" de uma forma a desafiar quem acredita que tudo já foi feito nessa área e mostra que este estilo pode ser ainda mais leve, sem perder sua propriedade natural de ser dançante e divertida. Ela regrava (honrando a grande responsabilidade) lindamente a faixa "Concrete Jungle" do Bob Marley, e mostra que dá sim pra gravar um clássico de forma inusitada.

Outras duas faixas que merecem destaque são "Samba de sola" e "Bobagem" que são dois sambas novinhos e muito bonitos. O primeiro tem tudo pra virar um novo clássico e o segundo inova até no tema: traz a questão do atual padrão de beleza, fala de mulher brasileira, fala de samba. Uma belezura!

"Minha beleza não é efêmera
Como o que eu vejo em bancas por aí.
Minha natureza é mais que estampa.
É um belo samba que ainda está por vir"

Espero que vocês tenham gostado das idéias, e da forma como eu coloquei. Me defendo: não sou crítica musical, nem tenho essa pretensão. Sou apenas uma pessoa que respira música e que ouve sempre um pouco de tudo.

Quanto ao disco, vale à pena ouvir: muito bem produzido, muito bem gravado, banda excelente em competência e inovação, voz linda, sem falar que ela é uma gata, né?... hehehe Bjokas.
 

terça-feira, 04h51, 11 de março de 2008

 

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