quinta-feira, 24 de julho de 2014

Céu!!!

Oi meu povo!

Então, vou começar o blá blá blá falando do primeiro disco da cantora paulista Céu, cujo título leva seu lindo nome. Ele foi lança do em 2005 mas, eu só o conheci ano passado, ao ficar curiosa por causa do nome que aparecia na lista dos artistas disponíveis para download no blog "Um que tenha". Aliás, esse blog é ótimo para quem gosta de "baixar" música brasileira boa e "desconhecida" pelo grande público.

Voltando ao Céu, e à Céu, pra mim foi uma grata surpresa ouví-la porque ela consegue integrar de forma muito agradável o moderno e o antigo, a batida eletrônica e o gingado do samba, música brasileira com cara internacional, lançando seu disco multicultural, poético e divertido e estreiando muito bem no mundo musical.

Produzido pelo compositor e multiinstrumentista Beto Villares, o disco começa com a "Vinheta quebrante" que exerce muito bem o seu papel de "quebra gelo" e deixa todo mundo curioso pra saber o que vem depois daquela percussão meio africana, pontuada por um piano e pela voz da Céu falando coisas ininteligíveis. A vinheta se mistura com a faixa n° 2, de sua autoria. "Lenda" é uma inovadora mistura de hip-hop com jazz, com piano bem marcado, e que na minha opinião é uma das melhores músicas do disco, pois combina a sutil sensualidade da voz meio rouca da cantora, com uma característica curiosa da sua forma particular de cantar: em algumas palavras ela não pronuncia muito bem o final, usa "notas fantasma", o que acrescenta à faixa uma musicalidade singular, que faz com que a frase fique bem mais leve. A letra é um charme à parte:

"Tome tento
Fique esperto
Hoje não tem papo
Jogo-lhe um quebrante
Num instante
Você vira sapo
Bobeou na crença
Príncipe volta ao seu posto de lenda"

A sonoridade que essas palavras trazem à pronuncia é muito divertida e exige um pouco de atenção do ouvinte.

Bem, no mais, o disco traz "Malemolência" onde fica expliícita a influência que o Choro traz ao disco (e que se mostra também na valsa chorada "Valsa pra Biu Roque") .

O reggae aparece em "Céu" de uma forma a desafiar quem acredita que tudo já foi feito nessa área e mostra que este estilo pode ser ainda mais leve, sem perder sua propriedade natural de ser dançante e divertida. Ela regrava (honrando a grande responsabilidade) lindamente a faixa "Concrete Jungle" do Bob Marley, e mostra que dá sim pra gravar um clássico de forma inusitada.

Outras duas faixas que merecem destaque são "Samba de sola" e "Bobagem" que são dois sambas novinhos e muito bonitos. O primeiro tem tudo pra virar um novo clássico e o segundo inova até no tema: traz a questão do atual padrão de beleza, fala de mulher brasileira, fala de samba. Uma belezura!

"Minha beleza não é efêmera
Como o que eu vejo em bancas por aí.
Minha natureza é mais que estampa.
É um belo samba que ainda está por vir"

Espero que vocês tenham gostado das idéias, e da forma como eu coloquei. Me defendo: não sou crítica musical, nem tenho essa pretensão. Sou apenas uma pessoa que respira música e que ouve sempre um pouco de tudo.

Quanto ao disco, vale à pena ouvir: muito bem produzido, muito bem gravado, banda excelente em competência e inovação, voz linda, sem falar que ela é uma gata, né?... hehehe Bjokas.
 

terça-feira, 04h51, 11 de março de 2008

 

"Sou feia mas tô na moda" - O Documentário.

Olá pessoal!

Eu vim aqui escrever sobre o documentário "Sou feia mas tô na moda" da diretora Denise Garcia, que estreou em 2006, e que eu só assisti no sábado passado, transmitido pela TV Cultura - sou fã dessa tv! - (eu e meus comentários sobre coisa velha...). Bem, como a intenção aqui não é divulgar, e sim opinar, lá vai...

Na minha adolescência eu achava engraçado o gosto do meu irmão Eliseu pelo funk carioca, na época do "Rap da Felicidade" dos MC's Cidinho e Doca ("Mas eu só quero é ser feliz / Andar tranquilamente na favela onde eu nasci / e poder me orgulhar / e ter a consciência que o pobre tem seu lugar) e o "Rap da Diferença", dos MC's Markynhos e Dollores ("Qual a diferença entre o charme e o funk / Um anda bonito, o outro elegante")... Nunca gostei daquelas letras pobres mas sempre curti o batidão numa fesa, como curtia o Maurício Manieri com o "Bota pra Mexer" e a Fernanda Abreu com o "Baile da Pesada", música onde ela reverencia os djs "das antigas" que animavam os bailes cariocas.

Minha posição, antes de assistir o documentário era a de alguém que não curtia as letras. Sempre achei muito depravado, via de uma forma muito negativa a influência que aquelas letras tinham sobre a cabeça das mulheres, das crianças, dos adolescentes, da sociedade. Numa festa, aquela batida é mesmo contagiante, a dança é sensual, a mulherada dançando chama a atenção dos caras... e etc, etc...

Bem, o documentário mostra um pouco da história do funk carioca, desde os bailes e os discos da galera dos anos 70, e de como a coisa chegou até hoje, da época do "baile violento" (quando o pau quebrava de porrada) até chegar na história do "baile do prazer", onde o pau quebra de outro jeito... O enfoque no vídeo é a opinião e a participação feminina dos bailes e nas letras, por isso elas aparecem mais do que os homens falando, e o argumento principal delas para letras tão erotizadas é que a muher tá se liberando pra falar abertamente sobre sexo da maneira como elas entendem, como elas vêem, como elas aprenderam na favela. O grande mote do funk é falar das coisas do cotidiano da comunidade da comunidade. Pelo que o próprio dj Marlboro disse, é uma espécie de "feminismo sem cartilha". A impressão que eu tive é que, com a liberação da expressão do pensamento através do som, as mulheres conseguiram se libertar de uma postura subserviente, dando voz para as suas vontades e exigindo direitos iguais aos dos homens, inclusive direitos sexuais.

A personagem principal do filme é a MC Deize Tigrona, uma pioneira nas letras sensuais, que faz um "tour" pela favela "Cidade de Deus", apresentando alguns dos mcs atuais, mostrando a cara do povo da comunidade. Eles todos continuam lá nos seus barracos, mas conseguiram, com essas letras, escandalizar parte da sociedade brasileira e chamar a atenção do povo para que acontece lá. Hoje o funk faz tanto barulho que já é estudado por cientistas e curiosos.

Preciso assistir esse vídeo mais uma vez. Passei dois dias ponderando sobre umas questões:
  1. Porque o dj Marlboro tá fazendo turnê na Europa inteira, ganhando dindin, enquanto o povo que faz esse tipo de música continua na favela, sentando no mesmo sofá velho de sempre? Essa situação mudou? Sei que essa galera trabalha muuuuito fazendo show no Brasil, mas será que isso tem um retorno financeiro interessante ou existe ainda uma escravidão?
  2. Quando se fala da música produzida na favela há que se considerar dois estilos principais: o samba (que saiu do morro para o asfalto há tempos) e o funk (que está saindo agora). O funk é um elemento transformador da realidade social, para o bem e para o mal, não só de quem o produz, mas de toda uma comunidade de pessoas que se relacionam com aquele meio;
  3. Quando se fala em qualidade, será que podemos exigir destas pessoas, que não tem acesso à educação, aos livros, à moradia, à saúde, segurança e lazer... (o que dizer sobre educação musical, e acesso aos instrumentos musicais?) que produzam música de alto nível de complexidade e beleza harmônica e melódica? Depois de pensar nisso, comecei a pesquisar sobre a vida do Pixinguinha, que nasceu numa família negra, dez anos após a pseudo abolição da escravidão no Brasil. Como ele construiu e nos deixou uma herança musical tão rica?
  4. O MC Cidinho revela sua indignação frente ao preconceito que a sociedade tem em relação aos moradores da favela e diz que lá tem tanto trabalhador quanto em qualquer outro lugar. Eu fiquei muito comovido quando ele relatou sua sensação de humilhação certa vez quando pegou um taxi com suas duas filhas, as 16h de um certo dia, e o taxista o informou que não entrava na Cidade de Deus, por medo. Ele diz que o funk sofre preconceito não pelo conteúdo de suas letras, mas por causa do povo que o compõe.
  5. O MC Catra questiona se o que as novelas, os filmes, os programas de tv veiculam não são tão erotizados quanto as letras do funk. Basta ver programas como "Zorra Total" e outros, para sabermos a resposta.
Queria colocar aqui uma frase de uma tese de doutorado muuuuito interessante, do Dr. Roberto Carlos da Silva Borges (universidade Federal Fluminense), que fala um pouco do que eu tenho pensado sobre a música negra do Brasil, sobre a situação do negro no Brasil... mas a tese tem algum tipo de proteção "anti-cópia"... Bem quem tiver interesse é só clicar no link aí embaixo. Ela tem uma linguagem simples e vale muito a pena ler. Quem acha que não existe dívida social para com os negros no Brasil, no mínimo não conhece a história do próprio país, no mínimo é sem noção. Leia com atenção a página 31, em diante.

Quem ainda não viu este documentário, vale a pena procurar e assistir. Abriu minha mente para entender o contexto de produção daquela música, daquela cultura, do pensamento desse povo muito parecido comigo: preto, pobre e batalhador.

Chega de destacar as diferenças como algo negativo. Viva a diferença.


Tese de doutorado baseada no documentário.

Segue um "trailer" sobre o filme:




quinta-feira, 9h30, 22 de maio de 2008

Retrospectiva: Agosto de 2010

Saí de casa para morar no Cruzeiro Novo. Me joguei na balada. Bebi igual uma louca, chorei como um bebê com cólicas, emagreci vertiginosamente. Depressão? Ô! Conheci um nego lindo, desses que enche a cama que é uma beleza... Dançava muito! Um cara que dança bem tem metade do caminho andado pra pegar quem ele quiser. E eu me joguei nesse carinha. Que delícia... mas ele matou a pobre vó dele para se livrar de mim. Primeira desilusão sexo-amorosa pós casamento. Nome do meliante? Marcelo. De quê? Marcelo do Caribenho. Vulgo "pretinho do inferno".
Depressão me esmagando, e eu tentando continuar. Olha só como eu me sentia: http://frutodevez.blogspot.com/2010/08/nao-consigo.html

Bjo 


sexta-feira, 19h29, 17 de junho de 2011

Ser mulher é o mais difícil

to aqui pensando na podridão do ser humano

Isaac diz
ahahah
comente.
o seu vizinho stalker denovo?

Elizabeth Maia diz
não
antes fosse
ele sumiu da janela
sei lá
antes era mais fácil, Zac
as pessoas sabiam o que era a verdade e o que era a mentira
o que era educado e o que era deselegante

Isaac diz
antes do que?

Elizabeth Maia diz
decidiam entre machucar o outro ou simplesmente se retirar
ser polido e ser amável
ser grosseiro, ser rude
antes era tudo as claras
é essa a impressão que eu tenho
hoje, homens e mulheres vivem um eterno jogo nojento de se usarem e se machucarem mutuamente
e a verdade não é mais a verdade
é só a verdade de cada um
mas cada um tem uma verdade que machuca e vai contra diretamente a verdade do outro
e não importa se eu estou machucando alguém
eu passo por cima desta pessoa se isso for me trazer algum benefício
e essa sujeirada toda me enoja e me constrange a ponto de eu sentir vontade de pedir pra Deus me tirar de todo esse mundo nojento
porque eu to cansada, sozinha e passando por coisas que mulher nenhuma antigamente passava
antigamente a mulher casava virgem e ela tinha uma família pra dizer que era a dela para o resto da sua mediocre vida
mas pelo menos era algo estavel
e relativamente seguro
os homens não eram tão covardes
e as mulheres não eram tão expostas e vulneráveis
eu nao sinto segurança em me relacionar com homem nenhum depois que me separei
e eu mesma acho isso o fim da picada
mas pelo menos eu nao me sentia assim tão frágil, tão vulnerável
eu não me sentia assim tão LIXO
é uma merda
desculpa o desabafo

Isaac diz
primo serve pra essas coisas também.
eu queria muito te dizer alguma coisa, mas nem dá...

Elizabeth Maia diz
é fácil ser a elizabeth linda, divertida, inteligente, bem sucedida
mas é FODA ser mulher.
Segunda-feira, 4 de julho de 2011.

Dona da alegria

Era só verdade,
Eu nem esperava
Eu nem mais chorava
Quando apareceu

Sentimento límpido
Um encontro mágico
Precisão cirúrgica
Só você e eu

Coesão enérgica
empatia ilógica
Mistura sinérgica
E a dor cedeu

O peito se desafogou
A cuca desanuviou
De treva, tensa e densa noite rompeu lindo dia
Dancei e cantei,
dona da alegria

Rio de Janeiro, 26 de maio de 2014

Aplicada a conhecer e entender de Cinema

Então... há algum tempo eu ando incomodada com o meu pouco conhecimento sobre cinema aliada a uma péssima memória dos filmes que assisto. Co...