Noite luzidia




Era um rebento alvo e puro
Reluzente como tu sempre foste
Era assim, calada, trêmula
Carne calma, clara, luzidia
Mais tua que minha em todos os traços
Sorriso manso
Muito embora,
a isso não tenha puxado nem a mim
nem a ti.
Nós, aves de rapina
Ela garça alba rara
vôo rasante.

Tinha espírito livre
como eu e tu sempre tivemos
e por isso nunca nos pertecemos
Nem eu a ti
Nem a ninguém

Sonhei contigo em mim
E era minha também
Ela esperara por alguém
Sempre esperara alguém
E nisso era tão sublime
tão suave
Tão minha
tão eu em outra pele
clara pele
branca como neve
E ainda assim vinha de mim
Era fora de mim.

Foi sonho
E foi tão cheio de verdade e mistério
como sempre fomos
Minha criança era tua
tão tua que pousava abandonada.


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Mais um sonho daqueles que me marcam agudamente. Há umas duas semanas eu e sonhei, e queria escrever sobre ele: sonhei que eu tinha uma filha de mais ou menos um ano e meio, e essa criança morava com uma das minhas tias (Nane). No meu sonho eu ia visitá-la em Manaus, pois só a tinha visto no parto e depois nunca mais. Tanto me apaixonei pela sua pele branca e sua semelhança com o pai que sofri demais ao pensar no quanto eu gostaria de tê-la para sempre comigo. Ela fazia xixi o tempo todo no meu colo, e não usava fraldas descartáveis... meu plano era tê-la sempre por perto e estava disposta a não me afastar dela nunca mais. Esse poema simplesmente transbordou agora. Um dia prometi a ele não escrever mais uma linha em sua lembrança, mas essas coisas são incontroláveis dentro da gente e os dedos simplesmente não se comunicam com o cérebro. Só com a alma. Minha alma viajou além-mar e trouxe essas letrinhas miúdas.

Com isso, reabro o blog para visitação pública.

Abraços.




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