domingo, 31 de março de 2013

O barco e o mar

Um pequenino barco,
encalhado em brilhante areia fina,
vislumbra o mar.
Casco rachado,
pintura puída,
velas rasgadas,
desoladas,
tremulando solitárias.
Sob a sombra de frondosa árvore
descansa
da lida,
da longa vida
dos mares navegados
das histórias vividas.

Imenso e ofegante,
o mar o observa.
Abandonou antigas guerras
e segue lambendo a praia
das terras daqui
e de terras distantes.
Violento, altivo
como em dias de combate.
Olha o pequeno barco por um instante
e segue em frenética atividade.
Recebe os rios,
aproxima e distancia
pessoas, histórias, amores,
continentes.

Separados,
se contemplam
ansiosos,
desiludidos.
O amor esconde-se,
vaga perdido,
espessa bruma
insone espuma
no limite de areia e mar.

Ousará a maré os aproximar?

Elizabeth Maia, 30 de março de 2013, 14h30.

Um comentário:

Leo disse...

Nossa Bet Maia, quanta novidade! Mas também, tanto tempo sem acessar tudo isto... Fiz questão de ler até o final da página, cada detalhe desta mudança de vida, e olha, o Rio lhe cai como luva! Mas o interessante é que mesmo tendo dado um giro de 360 graus na vida, a essência continua a mesma, sempre tão sensível, tão viva, tão única. Sucesso na banda, no trabalho, nas amizades e, claro, nos amores! Leo

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