O barco e o mar

Um pequenino barco,
encalhado em brilhante areia fina,
vislumbra o mar.
Casco rachado,
pintura puída,
velas rasgadas,
desoladas,
tremulando solitárias.
Sob a sombra de frondosa árvore
descansa
da lida,
da longa vida
dos mares navegados
das histórias vividas.

Imenso e ofegante,
o mar o observa.
Abandonou antigas guerras
e segue lambendo a praia
das terras daqui
e de terras distantes.
Violento, altivo
como em dias de combate.
Olha o pequeno barco por um instante
e segue em frenética atividade.
Recebe os rios,
aproxima e distancia
pessoas, histórias, amores,
continentes.

Separados,
se contemplam
ansiosos,
desiludidos.
O amor esconde-se,
vaga perdido,
espessa bruma
insone espuma
no limite de areia e mar.

Ousará a maré os aproximar?

Elizabeth Maia, 30 de março de 2013, 14h30.

Comentários

Leo disse…
Nossa Bet Maia, quanta novidade! Mas também, tanto tempo sem acessar tudo isto... Fiz questão de ler até o final da página, cada detalhe desta mudança de vida, e olha, o Rio lhe cai como luva! Mas o interessante é que mesmo tendo dado um giro de 360 graus na vida, a essência continua a mesma, sempre tão sensível, tão viva, tão única. Sucesso na banda, no trabalho, nas amizades e, claro, nos amores! Leo