terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Lua adversa

Nem tudo é sempre festa, colorido e curtição. As vezes o tempo fica nublado. As vezes a cabeça fica meio cinza de preocupação, de arrependimento, de culpa, de vontade de fazer tudo diferente... As vezes o corpo se fecha para que o coração ponha as coisas no lugar.

Cecília Meirelles, num poema que conheci na adolescência, dizia sobre a necessidade de estar escondida, as vezes. E hoje estou bem assim: daria tudo por um quarto escuro, tempo frio e edredon. Estou nessa fase de andar escondida, fase de ser sozinha, fase de não me encontrar com ninguém, e nunca é dia de ser de alguém.


LUA ADVERSA

Tenho fases, como a lua 
Fases de andar escondida, 
fases de vir para a rua... 
Perdição da minha vida! 
Perdição da vida minha! 
Tenho fases de ser tua, 
tenho outras de ser sozinha.
Fases que vão e vêm, 
no secreto calendário 
que um astrólogo arbitrário 
inventou para meu uso.
E roda a melancolia 
seu interminável fuso! 
Não me encontro com ninguém 
(tenho fases como a lua...) 
No dia de alguém ser meu 
não é dia de eu ser sua... 
E, quando chega esse dia, 
o outro desapareceu...

Preciso me recolher. Preciso de um pouco de descanso, e um pouco de ordem.

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