terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Reticente

Tudo
para mim é muito
é mais que posso
é ir fundo
me perdendo
atravessando o mundo.

Um passo
é meu limite.
Beira de abismo
ou porta do céu?
Minha última chance
sob teu dossel?

Viver
a última gota
transborda o copo
esfria o corpo
nunca é só gota
transborda
e molha o chão

Nunca é
apenas chão
É mais que posso
Mais que um passo
imensa poça
um oceano
a transcender

Vida agridoce de transpor
pequenos oceanos
detalhes
mais que um passo
mais que posso
limiar
paradoxo.

23/03/2010

Lua adversa

Nem tudo é sempre festa, colorido e curtição. As vezes o tempo fica nublado. As vezes a cabeça fica meio cinza de preocupação, de arrependimento, de culpa, de vontade de fazer tudo diferente... As vezes o corpo se fecha para que o coração ponha as coisas no lugar.

Cecília Meirelles, num poema que conheci na adolescência, dizia sobre a necessidade de estar escondida, as vezes. E hoje estou bem assim: daria tudo por um quarto escuro, tempo frio e edredon. Estou nessa fase de andar escondida, fase de ser sozinha, fase de não me encontrar com ninguém, e nunca é dia de ser de alguém.


LUA ADVERSA

Tenho fases, como a lua 
Fases de andar escondida, 
fases de vir para a rua... 
Perdição da minha vida! 
Perdição da vida minha! 
Tenho fases de ser tua, 
tenho outras de ser sozinha.
Fases que vão e vêm, 
no secreto calendário 
que um astrólogo arbitrário 
inventou para meu uso.
E roda a melancolia 
seu interminável fuso! 
Não me encontro com ninguém 
(tenho fases como a lua...) 
No dia de alguém ser meu 
não é dia de eu ser sua... 
E, quando chega esse dia, 
o outro desapareceu...

Preciso me recolher. Preciso de um pouco de descanso, e um pouco de ordem.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Mude a semente se não gosta do fruto que colhe

E daí eu resolvi mexer aqui nos textos salvos como rascunho e resolvi postar isso. O escrevi em 10/01/2013. ;)
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É isso que eu tenho tentado. Honestamente eu tenho tentado fazer isso. Ainda não colhi os resultados, mas nenhum bom fruto se mostra imediato. Estou falando de uma relação amorosa, essa bendita relação que tem sido a tônica de tantos posts nesse blog.

Até a um tempo atrás eu estava indo pelo método tentativa-erro. Conhecia alguém, não me divertia quase nada no processo e enquanto estava ficando percebia se tinha ou não afinidade comigo. Esse processo é as vezez lento, as vezes rápido e sempre dolorido. No fim das contas eu sempre chego à mesma conclusão: eu sou uma mulher bonita, divertida, inteligente, trabalhadora, elegante, extrovertida, e carente... e por isso as vezes eu beiro a maluquice.

Hoje eu deixo pouquíssimos homens se aproximarem de mim, e quase sempre eles vêm apresentados por outros amigos (o mínimo de referência, por favor!). O cara perde pontos quando me olha dos pés à cabeça sem a menor elegância e discrição, o cara também perde ponto quando tenta me beijar no primeiro encontro. Aqui no Rio isso é complicado porque a negada chega junto e chega forte, então você tem que ser ainda mais incisiva e até grosseira quando logo se vê que se trata de alguém que você não quer que chegue à intimidade do beijo ou contato físico. Me dedico a ser educada e quando vejo que vale o risco até troco telefone.


Se for banho, que seja de chuva. Se for choro, que seja de alegria.

E daí eu resolvi mexer aqui nos textos salvos como rascunho e resolvi postar isso. O escrevi em 28/11/2012. ;)
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Tem lágrima que sai do rosto
tão honesta,
tão doída,
tão cheia de razões,
tão legítima,
tão sem ruído,
tão sem rumo...
tão sem palavra.
tão cheio de justificativas,
tão quente.

Tem rosto que recebe uma lágrima,
tão cansado,
tão inexpressivo
tão sem comoção,
tão cheio de ter recebido aquele líquido quente
tão cheio de tantos outros motivos

Nem a lágrima quer sair mais
Nem o rosto que se banhar

Hora de colocar os músculos da face para sorrir.
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Texto finalizado e título colocado na data de hoje: 24 de janeiro de 2013.

Temperando - Texto escrito em 09/08/2012

E daí eu resolvi mexer aqui nos textos salvos como rascunho e resolvi postar isso. Como diz o título: o escrevi 09/08/2012. ;)
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Eu já chorei de raiva, de dor no dente, de queda de bicicleta (e de joelho machucado). Já chorei de dor, sentindo falta de alguém que partiu. Eu já parti sentindo dor por alguém que ficou. Já chorei criança, velha e adulta (porque a vida não respeita ordem alguma, nem mesmo essa cronologia boba que ela mesma inventou). Já chorei na escola, no ônibus, no calor do travesseiro, debaixo do chuveiro (lá sim é lugar quente). Já chorei de cara limpa, já borrei a maquiagem. Já chorei estando quieta e em lugares onde estive de passagem. Já chorei na balada, meio-dia, madrugada. Já chorei sozinha, já chorei acompanhada e abraçada. Já chorei de tantos jeitos e em tantos lugares... Já chorei de tanto rir. Já ri de tanto chorar. Já ri até me engasgar. Ri de mim e dos outros, ri sem parar.

A rainha do desperdício sou eu!

E daí eu resolvi mexer aqui nos textos salvos como rascunho e resolvi postar isso. Escrito em 16/02/2012. ;)
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Tenho certeza que há pelo menos dois anos eu só estou perdendo tempo, dinheiro e emoções. Os três na mesma proporção. Os três em enorme quantidade. Os três como uma grande hemorragia. Me sinto assim, hemorragicamente perdedora. Perdedora de mim mesma no meio do caminho, perdedora de oportunidades. Sem falar nos três itens elementares já citados.

Há mil anos eu não sei o que é uma relação que preste com um ser humano de outro sexo. Duvido muito que algum dia eu tenha experimentado uma. Fodam-se os ex-qualquer-coisa. A verdade é essa e ela é dura.

Eu tenho uma lista idiota, digna de uma loser, onde eu listo...

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E a partir daqui não tinha mais nada, mas parecia tão visceral, tão verdadeiro, que eu resolvi postar mesmo incompleto! ;)

Quero - Texto escrito em 01 de janeiro de 2011.


E daí eu resolvi mexer aqui nos textos salvos como rascunho e resolvi postar isso. Como diz o título: o escrevi 01/01/2011. ;)
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Depois de quase 9 anos acompanhada, passar uma noite sozinha me bate uma solidão danada, um vazio, uma inquietação. Não escuto ninguém em casa. Não cuido da chegada de ninguém, não espero ninguém, não cozinho pra ninguém, não faço nada... e me bate a sensação que eu fui feita pra cuidar. Gosto de cuidar de mim, do meu amor, dos meus amigos, da minha família. Parece que ainda estou na casa dos meus pais e olho para a porta esperando a chegada do meu pai. A casa só ficava perfeitamente barulhenta quando todos estavam. Se faltasse um de nós pairava um clima de espera.

É assim como me sinto agora: à espera. Quero um amor. Porque ficar de noite sozinha é muito triste. Me sinto muito sozinha. Sem falar na vontade de beijo, de abraço, de chamego, de sexo, de paixão, de borboletas no estômago. Não sei se eu sinto falta do amor ou do amado.

Se perdeu... - Texto escrito em alguma data que se perdeu, no ano de 2010.

E daí eu resolvi mexer aqui nos textos salvos como rascunho e resolvi postar isso. Como diz o título: o escrevi em alguma data de 2010. ;)
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Eu fui ensinada a encarar a vida como um caminho que havia sido escrito e pré-determinado. Nunca consegui enxergar a vida como algo que já havia sido programada. Sempre achei estranho, frustrante, doloroso e sem graça imaginar que tudo que eu penso, faço, escolho ou realizo estava traçado, condicionado. Imaginava que, se todo meu trajeto já havia sido programado, não fazia sentido em todos os sentimentos envolvidos no processo de escolha, com o qual nos envolvemos a cada minuto, da hora que levantamos ao momento de descansar.

Por isso, eu nunca consegui entender a tragédia, a falta de oportunidade, o medo me paralisando. Se a vida tem roteiro, por que justo eu tive que passar por tantas coisas desagradáveis?

Hoje eu consigo compreender com um pouco mais de serenidade que nem tudo que ouvimos, vimos, lemos, vivemos, experimentamos, tem como interpretação final a primeira "leitura" que fazemos. Hoje eu entendo que tudo que acontece com a vida da gente tem uma razão muito mais profunda de existir, obedece a uma cadeia muito mais complexa de relações com outros seres (nossos irmãos, amigos, parentes, sociedades, próximos e distantes). E agora eu realmente compreendo coisas que a minha cabeça não entendia há tempos atrás... e o que eu não entendo hoje, talvez um dia, com um pouco de paciência, entenderei.

Hoje eu não tenho nenhuma opinião formada, ou mesmo a menor idéia sobre como a vida da gente se dá andamento (com como alguém faz para que ela ande), só sei que tomei a atitude de ir em frente, e parar de olhar para trás e imaginar "como teria sido" se eu tivesse escolhido outros caminhos, tomado atitudes diferentes. E eu entendo que, apesar de querer viver a vida como quem anda "pisando em ovos" (para não machucar nem a mim, nem a ninguém), o que é preciso mesmo é viver, e aproveitar o tempo que se tem, fazendo o que é bom, agradável, lúdico.

Escrevo tudo isso pra dizer que, quanto mais o tempo passa, mais eu percebo que a vida tem que ser aproveitada de forma plena, sem neuras, sem muitas reservas, sem arrependimentos.



segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Novos tempos

Quisera eu
adentrar teus templos,
visitar teus símbolos
com ousadia,
tocar teus sinos
e tua geografia

de poesia
cobrir tuas matas.

te combinar
no tecer desses dias,
ser instrumento
e te tocar
de harmonia e singeleza,
te vestir de beleza,
beijar teus olhos,
abrir tuas flores,
pintar com as cores
da palma da minha mão
me reunir a ti
por adoção
por devoção

afastar tuas dores
e cantar
renovar sabores
te adoçar
te colorir de alegria,
trazer o meu sonho ensolarado
pra iluminar teu dia

forrar com juventude
o tecido puído dos nossos versos.
me ofereço, me dispo,
me empresto

Pra ser tua inspiração,
tua canção,
tua mulher.
E se me fizer teu refrão,
ser a força do teu coração.

 



quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Digo sim


Poderia dizer
que a vida é bela, e muito,
e que a revolução caminha com pés de flor
nos campos do meu país,
com pés de borracha
nas grandes cidades brasileiras
e que meu coração
é um sol de esperanças entre pulmões
e nuvens

Poderia dizer que meu povo
é uma festa só na voz
de Clara Nunes
no rodar
das cabrochas no carnaval
da Avenida.
Mas não. O poeta mente.

A vida nós a assamos em sangue
e samba
enquanto gira inteira a noite
sobre a pátria desigual. A vida
nós a fazemos nossa
alegre e triste, cantando
em meio à fome
e dizendo sim
– em meio à violência e a solidão dizendo
sim –
pelo espanto da beleza
pela flama de Tereza
pelo meu filho perdido
meu vasto continente
por Vianinha ferido
pelo nosso irmão caído
pelo amor e o que ele nega
pelo que dá e que cega
pelo que virá enfim,
não digo que a vida é bela
tampouco me nego a ela
– digo sim

Ferreira Gullar

Relembrando o último trimestre de 2012


  1. OUTUBRO - Dia 9 - meu primeiro ensaio e entrada para o grupo Moça Prosa. Minha volta à música, e por meio do Samba. Ô sorte!
  2. NOVEMBRO - Dia 3 - a Elisa chegou para me visitar aqui no Rio e passou um mês. Clarinha (dias 21 e 22) e Quel (dias 28 e 29) também estiveram por aqui.
  3. Dia 3 - Fui ao Show do Bid - Bambas Dois, e no final das contas, foi massa!
  4. Dia 11 - Descobri que a Flauta transversal que comprei em setembro era falsificada. Fui ressarcida de parte do dinheiro mas isso me deixou broxada;
  5. Dia 14 - fui ao show do Rogê e Arlindo Cruz, no Circo Voador. Sambei, me diverti, e chorei demais porque achei que perdia um príncipe, um conselheiro, um protetor, um amigo amado;
  6. Dia 15 - Assiti a versão original de "Pinóquio" na tv, e vi que o Príncipe do dia anterior é o Grilo Falante que meu Pai do Céu me deu;
  7. Dia X - Não sei a data - Estreitei relações de amizade com a portuguesa Luisa, amiga do Hugo, queridíssima e animadíssima, veio passar férias no Brasil;
  8. Dia 18 - Fui com Elisa e Caio César, meu estagiário e amigo querido, conhecer a taça mais famosa do RJ: Niterói e seu Museu de Arte Contemporânea;
  9. Dia 19 - Fui conhecer a famosa Confeitaria Colombo com a Elisa;
  10. Dia 25 - Fui à Comunidade Evangélica da Zona Sul, no Flamengo;
  11. Dia 30 - Fui ao Studio RJ para o pré-lançamento do novo disco do Bossacucanova, com Elisa, Cibele e Diego Tavares, que estava de bobeira pelo RJ;
  12. DEZEMBRO - Dia 3 - Fui encontrar a Pixa, Relton, Ana Cristina e Bráulio em Copacabana e acabei indo com eles pro Carioca da Gema;
  13. Dia 5 - Ensaio do Moça Prosa com a presença de Pixa, Relton e Nelsinho;
  14. Dia 8 - Fui ao show do Diogo Nogueira com Anderson e Tarcilla. Reencontrei Sandrinho depois de muitos anos sem vê-lo;
  15. Dia 9 - Fui ver o monólogo "A casa dos budas ditosos", com Cibele, no Centro Cultural João Nogueira, e aproveitei a ida ao Imperator para ver a exposição montada em homenagem ao joão Nogueira;
  16. Dia 10 - Reencontrei na Lapa o Marcos Reino, amigo da época de UnB;
  17. Dia 11 - Eu mesma relaxei meu cabelo... e ficou lindo! :D
  18. Dia 12 - Fui ao Vidigal pela primeira vez, na casa da Camila;
  19. Dia 15 - Andei com Marquito pela Lapa (meu aniversário foi assim);
  20. Dia 16 - Comemorei meu aniversário com os amigos no Carioca da Gema ao som de Arlindo Neto;
  21. Dia 19 - Fui com a Marcela pro samba da Praça Barão de Drummond, em Vila Isabel. Reencontrei o Beto, que conheci dia 5. Conheci o Pedro Rocha, menino bonito que tá sempre nos sambas, e reencontrei Nelsinho;
  22. Dia 21 - o mundo não se acabou :D
  23. Dia 22 - Fui ao aniversário do Jonio Júnior, no Rocha, cantei, toquei, comi, bebi, me diverti com as Moças Prosas :D
  24. Dia 23 - Cantei e toquei no aniversário do André, dono do bar da Pedra do Sal. E foi lindo! Depois disso fui ajudar Karla com a decoração do Natal/Noivado, em Vila Isabel. Depois disso fui passear no Leblon, a noite, com o Beto, um amigo que conheci dia 5 de dezembro;
  25. Dia 24 - Assei um chester divino e fui passar o natal/noivado na casa da Karla;
  26. Dia 25 - Passei a tarde na praia do Leblon com a Cibele e depois fomos ver em Copacabana o show do Stevie Wonder com Gilberto Gil, de graça!
  27. Dia 26 - Fui pro samba da Praça Barão de Drummond, em Vila Isabel. Encontrei Beto, Pedro, Anderson (meu padrinho querido). Conheci Julia, Patrícia e Ierê... todos uns queridos!
  28. Dia 27 - Fiquei estudando flauta até 22h e depois fui pra praia do Leblon com a Cibele e a família dela;
  29. Dia 28 - Depois do trabalho fui à praia com Karla e Caio César. Depois da praia fui ai luau do Samba e tive uma noite maravilhosa fazendo as coisas que eu mais gosto na vida, inclusive cantar! ;)
  30. Dia 29 - Fui pra Lapa com Sandrinho;
  31. Dia 30 - Cantei no Pré-Reveillon da Pedra do Sal com o Moça Prosa. Foi lindo! De lá fui pro Carioca da Gema, mas por causa da lotação saí rápido;
  32. Dia 31 - Fui pra Copacabana ver os fogos de Reveillon com a Cibele e a família dela, e com Érika e os amigos dela. Foi emocionante e lindo, mas demoramos duas horas e meia pra chegar em casa.
  33. FIM :D 

As multidões

Nem todos podem tomar um banho na multidão: ter o prazer da turba é uma arte. Só assim se pode oferecer, à custa do gênero humano, um b...