Há de ser?


Eu te olho e lembro dos teus olhos, e da tua vontade efêmera de me amar, e da tua vontade permanente de pertencer e de possuir, de cuidar e de ser cuidado, e do teu prazer em ter as costeletas afagadas, e da tua ordem pra eu continuar, continuar... E eu não sei o que é ser tua, eu nao sei nem o que há de ser. Só sei que te olho e lembro das tuas mãos na cozinha e na cama, no volante, entre pistos e em lugares que se eu contar hei de ser a mulher mais indiscreta (a mais realizada), e a que mais te denuncia... porque tuas mãos foram únicas e ao mesmo tempo foram muitas, e quando te olho vejo um calendário, e os dias passando, e música pairando pela casa misturando cheiro de alho com felicidade refogada... E quando te vejo desejo que meus olhos te olhem de novo dos pés à cabeça e te perguntem (de dentro pra fora): "É você?"
E ao ouvir teu "sim" eu saiba que você finalmente chegou e acabou com a minha espera. 

Seja bem-vindo.


Fecho os olhos. Tudo se dissipa.

Não te vejo mais.


Imagem: Magic of Sound

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