Veja!


Está escrito nos muros
pichado no chão das ruas
riscado no tronco das árvores
anunciado no jornal de ontem
impresso num fanzine
esboçado no guardanapo do boteco sujo
(na risada e no prazer, nos ouvidos de todos)
no timbre das vozes abafadas
na estampa da camiseta surrada
no papel de bala,
no saco de embalar peixe
nos documentos das repartições
no barulho das xícaras de café
no cheiro de pão fresco
nos letreiros, nos semáforos,
no apito do guarda de trânsito
no salto das mocinhas apressadas da avenida.

Em todos os lugares existem placas determinando a propriedade.

Esta cidade ensolarada
conquistaste com a  bravura
de um cachorro solto no mato.

Não existem barreiras.

Esta cidade,
chamada meu peito,
é tua.


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