segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Cuidar de mim

Brasília 21 de outubro de 2011, 22h26

Oi, tudo bem? Estive pensando que Manaus mexe muito comigo. Eu sei, já falei disso aqui no blog. Ainda nem cheguei lá e minha cabeça já começou fervilhar.

Um dos rap’s do Emicida fala uma coisa que faz muito sentido pra mim quando eu penso no tanto que Manaus mexe comigo. A letra diz assim: “É necessário voltar ao começo. Quando os caminhos se confundem é necessário voltar ao começo. Não sabe pra onde ir? Tem que voltar ao começo! Pra não perder o rumo não pode esquecer do começo”. E assim por diante... E é exatamente isso: quando eu olho para minha família, quando me lembro da minha infância, dos meus pais e toda a luta deles pra que os filhos pudessem estudar, trabalhar, ascender socialmente, e acima de tudo, ser honestos, íntegros, respeitáveis e ter caráter; quando penso nisso tudo e em pequenas situações que a gente viveu (situações de privação e sofrimento, principalmente) é que volto a reorganizar minhas prioridades, é que me reposiciono em direção à minha meta (que não é muito ambiciosa, é atingível).

Tem outro rap do Emicida que diz: “Eu não quero fazer o que eu posso. Eu posso fazer o que eu quero”. Eu não sei se posso cantar o mesmo. Se eu fosse fazer só aquilo que quero eu iria parar de fazer um monte de coisas que eu considero chatas e modorrentas. Estudar coisas que eu não curto com o único objetivo de ganhar dinheiro é uma das coisas que eu não faria nunca mais.

Quem me conhece sabe que eu gosto muito de ler e de estudar, mas gosto de estudar coisas prazerosas. Já falei disso aqui antes, mas nos últimos dias vi que vou ter que engolir um pouco o orgulho e voltar a estudar para competir em concursos públicos, almejando uma remuneração melhor, coisa que eu achei que iria acontecer meio que naturalmente, com a minha qualificação e desempenho ao longo do tempo. Pode ser uma mentalidade infantil. E isso só o tempo vai dizer. (Você pode tentar explicar também, mas eu estou de TPM e não vou ler nenhuma letra). Estudar para concursos é coisa que as minhas amigas já fazem desde antes de formar. Eu já fiz alguns concursos, já fui qualificada em alguns, estou aguardando convocação para outros, mas continuo em um trabalho onde eu não me sinto relativamente respeitada, nem valorizada e muito menos ganho de acordo com o que eu mereço pra me manter minimamente motivada. Eu sei que motivação não está relacionada somente à remuneração, mas eu não tenho nenhum motivo para não desmotivar.

Quase nunca reclamo do meu trabalho em redes sociais ou aqui no meu blog, mas estou doida para dar um basta nessa minha situação atual de emprego. Por isso, decidi parar o “mimimi” e decidi que vou estudar para passar em um concurso público. Não tenho perfil pro funcionalismo, não acredito na eficácia desse sistema de seleção, já trabalhei em inúmeras instituições que são verdadeiros centros de incompetência, intolerância, gasto descontrolado com coisas e pessoas que não colaboram, com algumas ilhas de excelência em profissionais e serviços, e algumas exceções que trazem ao trabalho prazer e alegria, mas apesar de não almejar o serviço público, minhas opções não são muitas.

Queria muito colocar a minha proposta de empresa de novo no mercado, mas não tenho grana inicial para o investimento, não tenho capital de giro, não tenho família que me sustente, e as contas não vão parar de chegar. Nunca tive muitas opções pra nada. Falta de oportunidade é uma situação que atinge muita gente e eu nunca tive talento pra murmuração. Pelo contário, sempre agi com os recursos que tenho: curiosidade, alguns livros, meu intelecto e minha invejável capacidade de ser feliz com o que tenho e fazer bem qualquer coisa em que eu coloque a mão. Sabe por quê? Eu não sou daquelas pessoas que diz que só vai conseguir ser feliz fazendo “X” ou “Y” ou comprando “A” ou “B” ou comendo “M” ou “N”. Entendo que eu sou responsável pela minha felicidade, independente da situação, independente do estilo de vida que eu levar.

Eu era feliz lá em Manaus, eu sou feliz aqui no Lago Norte. Eu era feliz morando na casa dos meus pais, eu era feliz no meu apartamento próprio com todas aquelas coisas que eu sonhei e que com suor construí, eu sou muito feliz morando nesse apartamentinho pequeno, pagando aluguel. Eu digo isso porque nos últimos meses eu me dediquei demais aos “prazeres da carne”: saí demais, dancei demais, comi demais, bebi demais, dormi demais, comprei demais, fiz tudo demais. Perdi o equilíbrio e isso se refletiu na minha saúde física, intelectual, emocional (que já não está lá essas coisas há algum tempo) e financeira. Quando atinge o bolso a gente começa a se preocupar, né? Nos últimos dias saí de cena, resolvi ficar mais quieta em casa para poupar meu bolso, minha saúde e minha imagem. Estou meio enjoada dos mesmos lugares, das mesmas músicas. Estou querendo fazer coisas diferentes.

Minha aula de gafieira está me dando muito prazer, mas diminuí as saídas e estabeleci critérios na hora de decidir se vou ou não sair de casa pra me divertir. No meu e-mail tem uma lista de livros que eu quero comprar e ler, vou imprimi-la e colocá-la como prioridade no meu orçamento. Só neste fim de semana eu já adiantei algumas leituras e reli outras:

  1. Um livreto com 3 textos do Franz Kafka: “Carta ao meu pai”; “A metamorfose” e “O artista da fome”;
  2. Uma coletânea do poeta inglês William Blake: O casamento do céu e do inferno e outros escritos; 
  3. A antologia poética do Olavo Bilac.


Agora estou lendo um conjunto de “Histórias de Amor” do Rubem Fonseca. Tem outro livro aqui do Rubem Fonseca que eu comecei e nunca terminei: um livro bem grosso com 65 contos. Vou finalizá-lo.

Outra coisa muito boa que fiz nas últimas semanas foi reduzir a quantidade de caras que se aproximam de mim. Estou num relacionamento que, apesar de não ser um namoro, estou usando a máxima de “ser fiel no pouco”. Parece besteira, mas pra mim significa muito. Estou, no mínimo, me protegendo e me reservando.

Fiquei pensando no meu quadro de metas (tenho um que contempla os próximos 15 anos) e fiquei feliz ao ver que não vinculei algumas coisas à existência de uma família. Fiquei feliz ao decidir começar a fazer aquelas coisas por mim, ainda que só por mim. Quero fazer uns cursos de culinária. Quero aprender a me organizar na cozinha, ter os acessórios certos, aprender a combinar temperos, aprender como cortar, cozer e servir os alimentos. Vou começar por um curso de risotos, comida que amo! Tem um curso aqui perto de casa, e eu vou aparecer por lá! Não vou esperar por ninguém. Vou fazer tudo isso por mim.

O maior e mais importante amor é o amor próprio. E se amor é compromisso e atitude, a hora de me amar e cuidar de mim é agora. Beijos. Beijos especiais para minhas amigas futriqueiras: Lai, Clarinha e Queline, que aparecem por aqui, lêem tudo, comentam entre si o que eu escrevo e não comentam aqui pra mim. O de vocês está anotado. :p Brasília, 23 de outubro de 2011. 18h35.

OBS: No dia que publiquei este post eu já estava selecionada para um emprego novo. :D

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