Uns correm pelo din, outros pelo prazer do vento no rosto

Quero coisas cada vez mais impossíveis. Estava aqui agorinha pensando em como pareço diferente das minhas amigas. Todas elas estão dedicadas a ganhar cada vez mais dinheiro e eu aplicada cada vez mais ao ócio contemplativo, ao prazer, à diversão, ao estudo daquilo que me faz feliz.

Não. Eu não ganho o suficiente para estar aqui tranquilona. Eu não sou sustentada por ninguém. Eu não vivo de renda. Ninguém me banca. Eu não tenho tudo que quero (nem no plano material, nem no espiritual, nem no emocional, nem no afetivo, etc, etc, etc...), e eu me viro pra dar conta da minha vida quando meu suado dinheirinho entra na minha conta bancário no início do mês. 
Eu apenas sinto prazer em viver e não vejo o menor sentido nessa correria louca em busca de dinheiro. As vezes penso no tanto que eu sou diferente dos meus amigos. Começo a sentir culpa por querer apenas trabalhar com algo que me dê prazer mas que não me ocupe tempo, nem emoções nem energia que eu poderia estar dedicando à vida, à leitura, ao descanso, ao bate-papo descompromissado com as pessoas. Já ouvi de algumas amigas que isso tudo que eu quero custa caro: livros, viagens, conforto, filhos, marido, boa casa, boa cama, boa mesa... E justificam nesse pensamento sua eterna busca por ascensão social. eu quero tudo isso, sim. Mas honestamente não acho que isso deve ocorrer do dia pra noite. Não acho que eu devo perder minha energia, meu viço, minha juventude numa busca insana por grana. É muito bom estar em casa alimentando minha mente e minha alma de coisas belas e construtivas. Melhor do que estar enfurnada numa sala de aula ao lado de um bando de neuróticos sem assunto. 

Eu não lido muito bem com isso mais pelo fato de me sentir estranha à essa sociedade do que pelo fato de não ter resolvido ainda minha situação profissional/financeira. No fim de semana minha amiga Queline disse que eu quero alguém que me banque. E, definitivamente, não é isso. Quero um homem que exerça o clássico e antiquado papel de homem pra que eu exerça o papel que eu acredito ser o clássico papel da mulher. Sim, na minha cabeça o homem deve ganhar mais que a mulher e proporcionar a ela e aos filhos o que lhe couber enquanto marido e pai. Não sei dizer se antigamente a sociedade era melhor ou pior, mas uma coisa eu também pondero: será que essa ânsia feminina por alcançar postos cada vez mais elevados na pirâmide social melhorou mesmo a vida de alguém? Conheço tanta mulher linda e bem sucedida que está sozinha e infeliz, ou reclamando que o marido não acompanha seu sucesso profissional. Onde está o equilíbrio? eu quero encontrá-lo.

Enquanto isso eu vou aqui curtindo meu salariozinho e cuidando de mim. Toda vez que eu recebo um elogio dizendo que além de bonita eu sou inteligente e divertida sinto que minha falta de esforço na corrida pelo dinheiro valeu muito a pena. No entanto, toda vez que alguém diz que eu sou leve e diferente porque levo a vida leve, abro um sorriso de orelha-a-orelha. Ser reconhecida pelo que eu sou: não tem preço que pague!

Um beijo!

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