quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Conjecturando no horário de trabalho

Brasília, 09 de agosto de 2011. 13h22

Querido diário,

Faz tempo que eu não uso isso aqui como um diário, né? Eu estou bem. Não posso reclamar. As coisas que me faltam estão na listinha apropriada para tal finalidade e, mais dia menos dia, eu vou alcançá-las. O problema só ganha este nome quando as “coisas que me fazem falta” não dependem só de mim, ou dependem em parte. Por exemplo: minha vontade de constituir nova família. Alguém me falou que isso acontece naturalmente, mas quanto mais eu passo por algumas situações, mais isso de ter alguém, de se relacionar com alguém, parece um jogo. Vence o mais forte, vence o que sabe jogar, vence o manipulador de si próprio e do outro. Estranho, né? Sempre achei que fosse assim: um cara conhece uma garota (ou uma garota conhece um cara), gostam da cara um do outro, gostam do corpo e do sorriso do outro e partem para a próxima etapa que é conhecer o outro “por dentro” (o que o outro pensa sobre si e sobre o mundo, a música que ele(a) ouve, o que ele(a) gosta de fazer no fim de semana, que livros ele(a) lê e assim por diante. Depois de gostar de tudo isso viria a parte crítica de apresentar aos amigos e família, e enfim engatar num relacionamento.

Lindo, né? No mundo adulto não é assim. Pelo menos não tem sido comigo. Sabe o que é mais chato? Acho que o problema sou eu. Eu sei que isso parece papo de livro de auto-ajuda, mas não está acontecendo desta forma natural. E o pior: quanto mais eu penso mais me convenço de que pra essas coisas não existe fórmula e eu fico em uma encruzilhada: não sei se esqueço tudo e simplesmente vivo do jeito que achar mais leve, ou se começo a aplicar as “fórmulas” que a literatura ensina: aja assim, pense assado, fale cozido. Ai, que saco. Entendo perfeitamente que as vezes a gente precisa entender mais ou menos como funciona a cabeça do outro para agir de uma determinada forma que a comunicação seja eficiente, e que as vezes é necessário entrar no jogo... mas tem que ter muita paciência.

Eu estou carente, é verdade. E mulher carente faz bobagem. Mas, como se cura a carência sem que se satisfaça o desejo, o objeto da carência? Eu queria muito começar tudo do zero, mas quantas vezes eu vou precisar recomeçar se nenhuma dessas vezes eu aprender como se faz direito? Onde se aprende esse jogo? Preciso jogar? Não posso simplesmente ser eu mesma? Ser “eu mesma” significa colocar pra fora toda minha burrice no trato com o sexo oposto? Ser “eu mesma” significa uma resistência ao aprendizado sobre como lidar com alguém que se quer, que se deseja?

Eu sei bem o que quero e tenho uma visão nada romântica do processo: eu já fui casada, “queimei” uma chance de ter alguém, ter uma família, construir uma vida e um patrimônio ao lado de alguém. Eu não me arrependo de ter casado, nem de ter me divorciado, mas também não quero continuar tentando, de relacionamento em relacionamento. Quero tentar no dia-a-dia, quero que sempre ao acordar eu me dê e receba a oportunidade de fazer diferente, de melhorar, mas com uma única e suficiente pessoa ao meu lado.

Não penso em um homem “assim” ou “assado”. Penso em um homem que queira as mesmas coisas que eu, que tenha os mesmos objetivos e projetos de vida. Mais importante que ele ser preto, ser branco, ser baixo ou alto, ser gordo ou magro, mais importante que as características externas do cara, a pergunta que eu desejo ter respondida a contento é: onde você quer estar no futuro? Se o meu projeto de vida puder ser alinhado ao projeto do cara, sem correr o risco de alguém se descaracterizar no meio do caminho, este tem grande chance de ser O cara.

E o amor? Amor é uma coisinha para o qual eu tenho um conceito muito peculiar, que só entenderá quem conviver comigo e tiver interesse em conhecer a resposta. Um blog não vai dizer para quem está lendo quem eu sou. Eu acredito que algumas pessoas têm o amor como substrato. Vou parar por aqui com esse lance de determinar o que é o amor pra mim. Ouvi numa música, um dia desses, a cantora perguntar: “E se eu descobrir um dia que esse lance que eu chamo de amor não existe?”. A frase não é exatamente essa, no entanto, a idéia está aí. E se eu estiver imaginando demais, sonhando demais, fantasiando demais? Não quero um príncipe encantado e sim um sapinho que me ame, me respeite e me proteja. Encontrar um sapinho a quem eu possa dar amor, apoio, lealdade e muito prazer já é um presente da vida, e de bom tamanho!

Tchau! :D 13h56

__________________________________________________________

Tem outro assunto sobre o qual quero falar. Dois assuntos, na verdade.

Sobre o gajo quero dizer que, esta pessoa por quem me apaixonei no ano passado, está chegando no Brasil no próximo domingo e que ele estará no início de setembro na minha cidade. Não estou ansiosa, não estou nervosa, não sei o que sinto por ele (“Socorro, eu não estou sentindo nada! Nem medo, nem calor, nem fogo, nem vontade de chorar, nem de rir!”). Essa declaração soa a mim mesma como bombástica. Acho que é a primeira vez que eu assumo tão descaradamente que não sei o que sinto por ele, nem em relação à chegada dele. Talvez eu não sinta nada mesmo e só use o que eu já senti como bengala pra minha solidão.

Sobre os outros carinhas com os quais me envolvi de um ano atrás até agora, e que não resultaram em nada de concreto, estou desapegando de uma vez por todas. Também não quero conhecer ninguém agora. Não quero nada com homem algum. Até alguns meses atrás eu só queria companhia (e cerejinhas, é claro!), mas eu tenho tantas pessoas queridas ao meu redor que a companhia já não é mais algo que eu espero de um homem. É claro que eu sinto falta (já falei disso no post anterior), principalmente quando olho minhas pias precisando de veda-rosca, minhas facas esperando amolação. Dia desses fiquei um mês tentando abrir um bendito pote de geléia, até que decidi destruir a tampa de inox do pote (e quando consegui abri-lo perdi totalmente o tesão pelo doce) e provar da geléia. Nessas horas um homem faz falta.

Parece contraditório dizer que não quero ninguém agora? Lembre-se: a qualquer momento posso me mudar de cidade (ok, só eu e Deus ainda acreditamos nisso!) e aí sim eu vou querer conhecer O cara! Enquanto isso Deus vai agindo, eu vou trabalhando e me divertindo do jeito que posso.

Até mais!
14h26

4 comentários:

Carol Durce disse...

Bem, eu acho que a ordem dos desejos é que não parece certa. A maioria das pessoas tem vontade de constituir uma família, mas isso deve se tornar um objetivo (na minha humilde opinião) quando se conhece “o cara” e não o contrário, não adianta projetar o casamento sem se ter o alguém, isso só deixa a gente mais frustrada quando não acontece como esperamos. Tem um médico que me acompanha (muito amigo da minha mãe e grande especialista em reprodução humana) que uma vez me falou que o problema dos jovens é que elegem uma coisa como sendo o objetivo primordial da vida e as outras coisas, vão deixando de lado, e quando vê que esse único objetivo não é alçando, vê que é tarde demais ou que poderiam ter realizado outras coisas paralelamente. Fique tranquila e se joga na vida, alcance seus objetivos menores e caminhe sempre na direção dos maiores, porque afinal, a viagem já é parte da diversão.

Beijokas!!!

Elizabeth Maia disse...

Kissu, querida, a coisa funciona diferente para alguém que, como eu, vive longe da família, para alguém que, como eu, já passou por um casamento. Eu não vou deixar de sonhar com isso porque ainda não tenho alguém. ;) Casar não é o objetivo primordial da minha vida. Aliás, objetivos primordiais servem para nos deixar frustradas. Eu estou correndo atrás das outras coisas e todo mundo vê que minha vida não está parada. A viagem não faz parte da diversão... a viagem é a diversão, e eu tô aproveitando como posso. Beijos e obrigada! :D

Laiane Ernesto disse...

Beth,eu acho que o melhor conselho que alguém no mundo poderia te dar é: VIVA! Viva o hoje, o agora, aproveite, carpe diem (bem bucólico e brega, mas é a verdade). O que percebi no seu texto é que o simples te preocupa... eu tomei a liberdade de comparar seu texto (uma mulher escrevendo sobre o amor) e o texto LINDO do Fabrício Carpinejar (um homem escrevendo sobre o amor) e o que tomei por conclusão é: as mulheres deveriam se preocupar em simplificar as coisas... o tempo inteiro o Fabrício fala de coisas como "comer o biscoito quebrado", "cantar a letra da música errada". O que eu entendo é que o amor e todas as outras coisas que você e todas as mulheres do mundo buscam estão em atos que praticamos e não enxergamos - as coisas simples de que falei lá em cima. Uma vez você me falou: "Pára de reclamar que as coisas melhoram, pq você começa a enxergar o problema por outro ângulo e pode resolvê-los melhor". Fiz minha parte e tudo está muito bom e muito bem. Hoje é o dia, então, de devolver essas benditas palavras para que você faça tão bom proveito quanto eu! E aproveitando o gosto por musiquinhas, cabe também deixar a música falar por nós. Gosto muito dessa letra e me lembrou bastante o momento:
"já não sei definir as coisas
já não sei explicar mais nada
e quando penso que desisto
vêm você

e me mostra que estou errada
que o fim da linha não existe
e que o mundo é mais lindo
que se vê

toda vez que choro já não sinto
já não fico triste mais
o sorriso já tem frase certa
meu amor

seu olhar já traz a mim abrigo
nem sei como isso faz
tua presença já me diz, só quero paz

ahh...sou feliz, estou em paz com você
ahh...sou feliz, não quero mais, é só viver"
(Roberta Campos - Estou em paz com você)

Bjos
Não esqueça que além de amigas somos sua família aqui :) (falo por todas as meninas)

Elizabeth Maia disse...

Lai, minha vida não parou. eu continuo trabalhando dando o meu melhor. Fim de semana eu tô na rua, fazendo as coisas que eu gosto, conhecendo gente e me divertindo. Você disse bem: o simples me preocupa. Pelo que percebi, você deu um conselho diferente da Kissu. A Kissu diz: pare de projetar o casamento já que você não tem o cara. Vou parar de sonhar com as coisas só porque não tenho o meio como atingí-las?

Eu não estou reclamando de nada. Estou sonhando com o que eu não tenho. Eu estava reclamando quando estava num casamento falido, que não me satisfazia, nem por isso reclamei por muito tempo. Eu agi a meu favor.

Eu estou tão cansada de luar por tudo sozinha, estou tão solitária, estou tão frágil... e tudo qu eeu não rpeciso é de gente me aconselhando a fazer coisas que eu fjá faço: lutar pelas coisas que só dependem de mim e me divertir nas horas vagas. Desculpem-me, meninas... mas eu não tô nada bem. Não é nada saudável passar dias e dias só no contato virtual com as pessoas. Tô de saco cheio de chegar em casa e não ter amor, nem carinho, nem ninguém pra me ligar e saber como foi o meu dia. E agora, sim: estou reclamando. Beijos!

As multidões

Nem todos podem tomar um banho na multidão: ter o prazer da turba é uma arte. Só assim se pode oferecer, à custa do gênero humano, um b...