domingo, 24 de julho de 2011

Minha vizinhança é estranha

Tenho uma vizinha cuja janela fica exatamente na frente da minha. Disconfio que a sala que ela ocupa seja a filial de uma lavanderia pois o apartamento está sempre TOMADO de roupas penduradas, inclusive a janela. É horrível, parece um cortiço, sempre tem ela, uma outra moça, e um menino de uns oito anos de idade... e aquela rouparada que impede minha discreta curiosidade de conhecer mais a respeito dela. Acontece que hoje, por causa dessa ventania absurda e deliciosa que rola aqui em Brasília nessa época de estiagem, uma peça gigantesca (parecia uma bolsa enorme de tecido, dessas sacolas de viagem, voou pela janela, deu várias piruetas no ar e caiu fora do prédio, no meo do barro vermelho... e ficou lá sendo arrastada pelo vento cada vez mais para longe.

Quanto mais o objeto se arrastava mais eu ficava agoniada, porque como diz minha amiga Raquel Reis, eu tenho essa mania de me colocar sempre no lugar do outro, e invariavelmente me preocupar com ele. O que a mongol aqui fez? Ficou gritando na janela para que a vizinha prestasse atenção em mim. Paguei papel de maloqueira em pleno Lago Norte. Elegância nível ZERO. Quando ela finalmente resolveu "abrir o mar" de roupas entre nós, eu avisei que a bolsa tinha caído e ela simplesmente se virou para dentro, avisou uma outra moça que estava lá dentro, e saiu dda janela. Assim, simples assim. Não sorriu, não agradeceu, não fez nenhum sinal de agradecimento por ter sido avisada. E eu fiquei na janela de cá, observando aquela situação. A gente sempre espera pelo menos um sinal de educação, né? Cobrar simpatia é pedir demais. Deus prometeu o pão. Manteiga é luxo. Como disse uma vez o Ulisses Guimarães (meu pai que repete isso, eu nem sei se foi ele mesmo): "Eu perco a eleição mas não perco a educação!".

Falando em vizinho: meu vizinho voyeur se mudou. unca mais o vi, nunca mais ouvi aquele toque indiscreto do rádio da Nextel que ele usa, nunca mais a voz dele berrando com o cara que estava do lado dele, nunca mais nada. A janela dele (outro cortiço pois sempre tinha toalhas e camisetas penduradas na janela) vive fechada e com as cortinas cerradas. Tah bem, né? :D

Em cima da minha kit mora uma cantora de samba, que gosta de samba de raiz e de Roberta Sá. Ela tá lá cantando agora. Acho a voz dela (da vizinha) bem bonita, timbre bonito, afinada, voz fofinha. E ela canta música boa. Que bom.

Chega de falar da vida alheia. Vou ali pois tenho muita coisa pra fazer.

Beijos, e bom domingo!

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