quarta-feira, 29 de junho de 2011

A melhor forma de se livrar de alguém

Meu coração estava pesado, tão pesado que cegava os olhos, tapava os ouvidos, me deixava insensível para tudo que vinha de fora. Eu estava concentrada na minha dor.

Hoje Deus me mostrou que eu só ia conseguir liberar meu coração se eu perdoasse e fosse perdoada. Foi isso que fiz.

Meu coração está livre. A melhor forma de esquecer alguém é tirando essa pessoa da mente, da alma, do Espírito e do coração através do perdão. Perdoar é abrir mão do seu direito de justiça, liberar a si mesmo e a outra pessoa para vivenciar a felicidade, a liberdade, o amor e a paz. E foi isso que eu fiz.

Ainda dói, mas já passei o remedinho mais poderoso do mundo.

Agora? Ficar quietinha esperando meu novo posicionamento geográfico.

Beijos!

domingo, 26 de junho de 2011

Sonho estranho de hoje a tarde

Eu estava dentro de um ônibus muito confortável, lotado de crianças (imagino que essas crianças tinham entre 2 a 6 anos de idade). eu era uma das mulheres adultas à bordo e estávamos levando essas crianças a um tipo de excursão. Na hora de desembarcar eu e as outras mulheres adultas pegamos no colo as crianças menores e eu senti um prazer indescritível ao segurar uma linda menina (que, no sonho, não era minha filha) e acompanhar as outras até fora do ônibus.

Sonhei assim: simples, curtinho e bom. Será a maternidade gritando? Tenho conversado muito sobre isso com minhas amigas, principalmente agora que a Kissu vai casar e pelo visto nos dará sobrinhos logo logo! Hoje de manhã, em um papo de alcova, eu fiquei especulando sobre quantos filhos o futuro me reserva. Uma vez tive a impressão de ter ouvido Deus me dizer que eu só iria ter um, apesar da minha vontade de ter dois filhos. Tenho amor demais pra quantos vierem. Só não tenho dinheiro. Ainda não. ;) Mas vontade de ter uma família completa e de verdade, não me falta: papai, mamãe e filhotes... do jeitinho que eu vivi, do jeitinho que eu sonho. As vezes me dá vontade de encarar uma produção independente, mas seria irresponsabilidade demais da minha parte visto que eu não tenho nem marido nem família aqui para me ajudar. A maioria da minhas primas da minha idade, e boa parte das minhas amigas do tempo de escola já tiveram filhos. A maioria das minhas amigas mais próximas daqui de Brasília são mais novas que eu e estão na fase se organizar seu casamento... eu me sinto meio deslocada as vezes porque já casei e hoje sou divorciada... mas ainda assim sonho com aquele que vai chegar e a quem vou fazer feliz para o resto da vida, com quem vou construir um ninho de amor cheio de sons e sabores, onde a paz vai reinar pra sempre e nunca ninguém vai se sentir solitário.

Era pra eu me sentir ridícula escrevendo essas coisas, mas não me sinto.

Um dia minha hora há de chegar, com fé em Deus.

Tchau!

é assim:

"Tive disposição e quis sair do zero
Eu não quero fazer o que eu posso,
eu posso fazer o que eu quero
Porque a vida me deu improviso na veia."

Pelo menos comigo é assim, como em "Ainda Ontem", do Emicida.

Quem ama mais?

O homem ou a mulher? De que maneira essa equação se estabelece num relacionamento? Como isso pode determinar o futuro de um casal?

Como cantou Elis Regina: "eu tenho mais de mil perguntas ser respostas...."

A Bília em um momento fala algo como "ame ao seu próximo como se fosse você"... Independente da balança amorosa em uma relação, o maior e mais importante amor que alguém pode sentir é o amor próprio, sem ele você não tem parâmetros para amar nem a si, nem a outros, e por isso eu resolvi aceitar a sugestão e me afastar de algumas relações. Na verdade a pessoa em questão resolveu se afastar de mim e eu fiquei atrás dela uns três dias tentando consertar a coisa. Essa minha criação não me permite aceitar com naturalidade o fim de algumas relações. Eu fui criada para o tal de "pra sempre". Que grande merda.

Sempre tive muito medo de ficar solitária. Sozinha eu já estou acostumada a ficar, mas a solidão bate de vez em quando, e é quase sempre combatida pela presença das minhas amigas queridas. Ainda bem, né? Deve ser por isso que eu tenho tanto medo de me mudar de novo. Sei que na nova cidade eu também vou construir amizades e que as daqui não vão morrer... mas não ter mais a possibilidade de ser socorrida de urgência pelas minhas amigas quando o coração aperta me dá muito medo.

A Bíblia fala que o perfeito amor lança fora o medo, mas as vezes a gente não sente o perfeito amor.

Minha cabeça está confusa mas meu coração está sepultando todos estes sentimentos que me deixam zonza. Com fé em Deus e no Seu perfeito amor, todo sentimento de confusão vai sair em breve da minha vida e eu vou ficar bem tranquila, sem medos nem preocupações.



Bom domingo pra vocês.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Feriadin

E aí, tudo bem?

Comigo tá tudo caminhando.  Estou sentindo falta das festas "mais ou menos" de Brasília, nunca mais teve nenhuma. Digo "mais ou menos" porque festa boa mesmo não existe. E isso me frustra. A última vez que saí foi quinta-feira passada, com a Alexia e a Betania, para duas festinhas pavorosas: um samba mal feito, igual a cara de quem produziu, e um forró que mal posso comentar a frustração. Enfim, vamos continuar tentando.

Nesta semana meu projeto de trabalho foi finalmente aprovado e eu tive que correr feito maluca pra começar a dar andamento pra instalação do trabalho. Amanhã eu preciso fazer uma carta de intenções pra pós, pagar o boleto da pós, postar por sedex os documentos pra concorrer à pós... é isso aí: sempre deixo tudo pra ultima hora. Um dia eu aprendo!

No mais? Um problemão que eu resolvi hoje, por acaso, numa conversa com minha irmã, e ela me deu a solução. Simples. E eu sentindo azia há dias por causa disso, não conseguindo dormir, um horror.
Outro problema: Uma mensagem errada, confusa e precipitada que talvez tenha me deixado em situação constrangedora com um amigo que eu prezo demais.
E o terceiro problema do dia: alguém que se afastou de mim "com medo de sofrer". Afinal, eu devo ser uma bruxa malvada mesmo. Chega de tentativas de ter prazer agora. Vou viver em cláustro até o dia que eu finalmente estiver na cidade que quero, rodeada das coisas que eu desejo.

Pro jantar: arroz carreteiro moladinho delícia acompanhado de cerveja Bohemia. Papo no Skype com a hermana. Ajudei uma linda Roseirinha com um trabalho pra facul.



Tchau, gente! Já tive emoções demais por ontem e hoje.

domingo, 19 de junho de 2011

Domingão do concursão

Coisa boa este fim de semana tranquilinho dentro de casa. Ontem eu fiquei quietinha na minha casa, fiz faxininha, fiz bolo de chocolate... e descansei um pouco.

Hoje eu acordei cedo, fiz um estrogonofinho e arroz branco pro almoço e saí cedo de casa pra encontrar meus amigos fazer a prova do concurso da Dataprev. Explico: é tanta gente conhecida, tantas carinhas se reencontrando que fica parecendo festa. Eu adoro encontrar meus ex-colegas, amigos e ex-estagiários e dar um abraço apertado nas pessoas que eu gosto.

Agora neste exato momento eu preciso fazer as unhas, depilar as pernas, tirar a maquiagem do rosto e dormir... mas estou querendo muito pular todas estas atividades e ir direto pra cama. Pode? Vou tentar fazer alguma coisa pra começar a semana mais bonitinha. :D

Bom restinho de domingo pra vocês!

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Essas linhas nas quais escrevi teu nome...

Me deixa cuidar
da tua febre,
das tuas roupas
do teu coração surrado
do teu pão
do teu cansaço...

Me deixa te fazer massagem
te curar do estrago
da noite mau dormida
da tua vida
da tua lida
de ti.

Band-aid descompensado
Paixão e cuidado
Pro meu coração marcado,
machucado
Pro meu amor aguerrido
solitário

Chuva pro meu deserto
água no solo da minha terra
alma heroina
cansada de guerra.

Mais que malícia pros teus sonhos loucos

Me deixa?
Sim, me deixa.

Escrito em 12 de junho de 2010, editado hoje.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

"Sou feia mas tô na moda" - O Documentário.

Postado originalmente dia 22 de maio de 2008 às 09:30 - no finado blog Dois Olhos Negros, de minha autoria.

Olá pessoal!

Eu vim aqui escrever sobre o documentário "Sou feia mas tô na moda" da diretora Denise Garcia, que estreou em 2006, e que eu só assisti no sábado passado, transmitido pela TV Cultura - sou fã dessa tv! - (eu e meus comentários sobre coisa velha...). Bem, como a intenção aqui não é divulgar, e sim opinar, lá vai...

Na minha adolescência eu achava engraçado o gosto do meu irmão Eliseu pelo funk carioca, na época do "Rap da Felicidade" dos MC's Cidinho e Doca ("Mas eu só quero é ser feliz / Andar tranquilamente na favela onde eu nasci / e poder me orgulhar / e ter a consciência que o pobre tem seu lugar) e o "Rap da Diferença", dos MC's Markynhos e Dollores ("Qual a diferença entre o charme e o funk / Um anda bonito, o outro elegante")... Nunca gostei daquelas letras pobres mas sempre curti o batidão, como curtia o Maurício Manieri com o "Bota pra Mexer" e a Fernanda Abreu com o "Baile da Pesada", música onde ela reverencia os djs "das antigas" que animavam os bailes cariocas.

Minha posição, antes de assistir o documentário era a de alguém que não curtia as letras. Sempre achei muito depravado, via de uma forma muito negativa a influência que aquelas letras tinham sobre a cabeça das mulheres, das crianças, dos adolescentes, da sociedade. Numa festa, aquela batida é mesmo contagiante, a dança é sensual, a mulherada dançando chama a atenção dos caras... e etc, etc...

Bem, o documentário mostra um pouco da história do funk carioca, desde os bailes e os discos da galera dos anos 70, e de como a coisa chegou até hoje, da época do "baile violento" (quando o pau quebrava de porrada) até chegar na história do "baile do prazer", onde o pau quebra de outro jeito... O enfoque no vídeo é a opinião e a participação feminina dos bailes e nas letras, por isso elas aparecem mais do que os homens falando, e o argumento principal delas para letras tão erotizadas é que a muher está se liberando pra falar abertamente sobre sexo da maneira como elas entendem, como elas vêem, como elas aprendem na favela. O grande mote do funk é falar das coisas do cotidiano da comunidade. Pelo que o próprio dj Marlboro disse, é uma espécie de "feminismo sem cartilha". A impressão que eu tive é que, com a liberação da expressão do pensamento através do som, as mulheres conseguiram se libertar de uma postura subserviente, dando voz para as suas vontades e exigindo direitos iguais aos dos homens, inclusive direitos sexuais.

Uma das figuras principais do filme é a MC Deize Tigrona, uma pioneira nas letras sensuais, que faz um "tour" pela favela "Cidade de Deus", apresentando alguns dos mcs atuais, mostrando a cara do povo da comunidade. Eles todos continuam lá nos seus barracos, mas conseguiram, com essas letras, escandalizar parte da sociedade brasileira e chamar a atenção do povo para que acontece lá. Hoje o funk faz tanto barulho que já é estudado por cientistas e curiosos. Fica na minha mente o MC Catra dizendo que a sociedade levou muito tempo para aceitar o samba, mas aceitou. Na opinião dele a aceitação do funk está acontecendo bem mais demorada.

Preciso assistir esse vídeo mais uma vez. Passei dois dias ponderando sobre umas questões:

  1. Sei que essa galera do funk trabalha muuuuito fazendo show no Brasil, mas será que isso tem um retorno financeiro interessante ou isso ainda é reflexo de uma sociedade de escravidão?
  2. Quando se fala da música produzida na favela há que se considerar dois estilos principais: o samba (que saiu do morro para o asfalto há tempos) e o funk (que estaria saindo agora?). O funk, assim como a arte enquanto forma de expressão da cultura, da mentalidade de um povo, é um elemento transformador da realidade social, para o bem e para o mal, não só de quem o produz, mas de toda uma comunidade de pessoas que se relacionam com aquele meio;
  3. Quando se cobra uma possível “qualidade”, será que podemos exigir destas pessoas, que não tem acesso à educação, aos livros, à moradia, à saúde, segurança e lazer... (o que dizer sobre educação musical, e acesso aos instrumentos musicais?) que produzam música de alto nível de complexidade e beleza harmônica, melódica, literária? Depois de pensar nisso, comecei a lembrar do pouco que li sobre a vida do Pixinguinha, que nasceu numa família negra, dez anos após a pseudo-abolição da escravidão no Brasil. Como ele construiu e nos deixou uma herança musical tão rica?

O MC Cidinho revela sua indignação frente ao preconceito que a sociedade tem em relação aos moradores da favela e diz que lá tem tanto trabalhador quanto em qualquer outro lugar. Eu fiquei muito comovida quando ele relatou sua sensação de humilhação certa vez quando pegou um taxi com suas duas filhas, as 16h de um certo dia, e o taxista o informou que não entrava na Cidade de Deus alegando medo. Ele diz que o funk sofre preconceito não pelo conteúdo de suas letras, mas por causa do povo que o compõe. E isso, na minha cabeça, encontra eco profundo.

O MC Catra questiona se o que as novelas, os filmes, os programas de tv veiculam não são tão erotizados quanto as letras do funk. Basta ver programas como "Zorra Total" e outros, para sabermos a resposta.

Queria colocar aqui uma frase de uma tese de doutorado muuuuito interessante, do Dr. Roberto Carlos da Silva Borges (universidade Federal Fluminense), que fala um pouco do que eu tenho pensado sobre a música negra do Brasil, sobre a situação do negro no Brasil... mas a tese tem algum tipo de proteção "anti-cópia"... Bem quem tiver interesse é só clicar no link aí embaixo. Ela tem uma linguagem simples e vale muito a pena ler. Quem acha que não existe dívida social para com os negros no Brasil, no mínimo não conhece a história do próprio país, no mínimo é sem noção. Leia com atenção a página 31, em diante.

Quem ainda não viu este documentário, vale a pena procurar e assistir. Abriu minha mente para entender o contexto de produção daquela música, daquela cultura.

Tese de doutorado baseada no documentário: clique aqui.

Segue um "trailer" sobre o filme:



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Dois Olhos Negros

Este era/é o nome de um dos meus blogs mas hoje ele se encontra fechado, somente eu posso ler e editar o lindinho. Hoje uso aquele espaço como um cantinho virtual do desabafo, mas antigamente ele era um blog pra falar de música e seu nome é uma franca alusão há duas coisas:
  1. a música do Lenine, cuja letra é linda!
  2. o ponto de vista (ou seria de "ouvida"?) de uma mulher negra (no caso, eu!).
Então... voltando ao blog, resolvi retirar de lá alguns posts que eu considero bem bacanas, bem escritos, reflexões pertinentes a respeito de discos que eu ouvi, shows que eu curti, etc. Ok? Não estranhem textos antigos sobre coisas antigas por aqui.

Beijos



Vamos dormir? Minha cabeça não sossega. afe!

Uma casa da vida real

Uma casa da vida real não precisa estar na moda, não precisa ter cara de show room, não precisa de móveis novos, não precisa ser a representação do último grito da moda... 


Uma casa precisa ter alma, precisa ter o conforto da poesia, do amor e dos abraços, ter música, aromas agradáveis, barulho de risos, calor de cozinha, cheiro de carinho saindo do forno, memórias de alegrias passadas, excitação de realizações do presente, frescor de projetos futuros... uma casa de verdade nunca está pronta. Uma casa de verdade é sempre a extensão do coração dos que nela habitam.


Onde eu estiver, a minha casa sempre será a minha cara, e a minha cara está sempre mostrando o conteúdo do meu coração: amor, alegria, paz, bondade, fé, esperança. 


Seja bem-vindo!

Vamos ver uma alma linda de casa? Sou fã da Elisa Lucinda, e agora muito mais!



Que linda sua casa cheia de memórias afetivas, Elisa!

terça-feira, 14 de junho de 2011

Organizando a geladeira

Este fim de semana ajudei um amigo a organizar a geladeira. Ele recusou a ajuda até não poder mais, mas minha ética amigo-pessoal-profissional exigia uma atitude: a coisa estava caótica. Me lembrei das dicas que encontrei nesta figura que ficava fixada do lado da minha geladeira na antiga casa, e pus mãos à obra:


Clica em cima que aumenta.

Uma coisa que aprendi quando voltei a morar sozinha foi comprar apenas o que vou consumir rápido, pois além da capacidade de armazenamento aqui em casa ser pequena (moro em uma kit, na minha atual casa não tenho geladeira, tenho somente um frigobar) eu como a semana inteira "na rua". As únicas refeições que faço em casa são o café da manhã e o lanche a noite. 

Para me organizar eu mantenho na geladeira apenas artigos para lanches rápidos, para no máximo 2 ou 3 dias. Compro apenas o que vou consumir imediatamente: sucos, iogurtes, refrigerantes (garrafas de no máximo 600 ml), leite, queijos, ovos, requeijão, manteiga e margarina, frios e embutidos em pouquíssima quantidade, algumas frutas (uva, abacaxi, etc), e só. O bom é que quando resolvo cozinhar comidinhas de verdade sempre tem espaço para guardar as sobras! Dica para você que se parece comigo: quando for cozinhar compre somente os ingredientes da receita, um dia antes de cozinhar, e faça a quantidade aproximada do necessário para o número de pessoas que forem comer. Organização é tudo de bom.

Aqui tem dicas de como limpar a geladeira: OZ!

E essa imagem de como organizar eu tirei daqui: Koisas de Karina.


Dica incrível que meu amigo me deu sobre como manter o sorvete no congelador: o seu sorvete fica "empedrado" ao ser guardado no congelador? O dele não! O sorvete do fofinho continua macio que é uma beleza! O segredo é utilizar aqueles filmes de pvc ao redor da tampa, envolvendo a tampa e o corpo do pote. Esse tipo de filme aqui, disponível em qualquer supermercado.

Agora acabou! =D

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segunda-feira, 13 de junho de 2011

Eu, Fernando, sou quase sempre ridícula e vil, como tu.



Cena de uma antiga novela da TV Globo, em que este incrível ator, de nome Osmar Prado, interpreta o "Poema em Linha Reta", um dos meus favoritos de Álvaro de Campos, heterônimo de Fernando Pessoa.

"Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza".

Daqui.

Aplicada a conhecer e entender de Cinema

Então... há algum tempo eu ando incomodada com o meu pouco conhecimento sobre cinema aliada a uma péssima memória dos filmes que assisto. Co...