XXII - Pablo Neruda

Quantas vezes, amor, te amei sem ver-te e talvez sem lembrança
sem reconhecer teu olhar, sem fitar-te, centaura,
em regiões contrárias, num meio-dia queimante:
era só o aroma dos cereais que amo.


Talvez de ti, te supus ao passar levantando uma taça
em Angola, à luz da lua de junho,
ou eras tu a cintura daquela guitarra
que toquei nas trevas e ressoou como o mar desmedido.


Te amei sem que o soubesse, e busquei tua memória.
Nas casa vazias entrei com lanterna a roubar teu retrato.
Mas eu já não sabia como eras. De repente


enquanto ias comigo te toquei e se deteve minha vida:
diante de meus olhos estavas, regendo-me, e reinas.
como fogueira nos bosques o fogo é teu reino.


Coisa linda que eu li na manhã de ontem, 18.05.2011, e rabisquei um trecho num pedaço de papel para que depois pudesse procurar o poema todo. Linda manhã!

Comentários

Edvan Moura disse…
Lindo mesmo! Eu até comecei a dar mais atenção ao livro do Neruda que tenho em casa por causa desse trecho que vc. postou aqui e no FB.
Bom gosto! Belo poema!
Beijo!