Meu coração é um albergue

Como eu disse no post anterior, meu ex-marido sempre me julgou ser uma pessoa muito confusa, por causa desse meu jeito de querer me envolver com mil coisas ao mesmo tempo, ter mil interesses e ter minha atenção, tempo, dinheiro e energia repartidos em tantos atrativos.

Eu sou assim com tudo: com as atividades que faço, com a minha forma de "leitura" na internet (vejo mil assuntos diferentes, ao mesmo tempo, e sempre fazendo um esforço pra concluir o que comecei). Distúrbio de atenção, hiperatividade... tem um nome científico pra isso, e eu já fui diagnósticada quando criança mas, honestamente, não lembro! (E também não vou ficar aqui me sentindo a dodoizinha! Convivo com isso).

Essa coisa me atrapalha? Muito. Meu rendimento nos estudos e no trabalho pode ser afetado? Honestamente? Não sei. Já provei pra todo mundo, inclusive pra mim mesma, que quando quero uma coisa, coloco um objetivo na mente e mais-dia menos-dia eu chego lá! E é exatamente aí que mora o perigo: no amor e na lida, eu tenho dois grandes sonhos e não me acho merecedora deles e por isso nem gasto minhas energias na luta.

Não tenho coragem de dar o sangue pelas coisas que considero realmente GRANDES (e são duas) e tenho muito medo de começar a lutar e não alcançar... e tenho medo ainda de não lutar e me frustrar, me arrepender. Tenho medo de tudo... mas meu coração é um albergue... Quer ver? Olha só:

"Eu adoro todas as coisas
E o meu coração é um albergue aberto toda a noite.
Tenho pela vida um interesse ávido
Que busca compreendê-la sentindo-a muito.
Amo tudo, animo tudo, empresto humanidade a tudo,
Aos homens e às pedras, às almas e às máquinas,
Para aumentar com isso a minha personalidade.


Pertenço a tudo para pertencer cada vez mais a mim próprio
E a minha ambição era trazer o universo ao colo
Como uma criança a quem a ama beija.
Eu amo todas as coisas, umas mais do que as outras,
Não nenhuma mais do que outra, mas sempre mais as que estou vendo
Do que as que vi ou verei.
Nada para mim é tão belo como o movimento e as sensações.
A vida é uma grande feira e tudo são barracas e saltimbancos.
Penso nisto, enterneço-me mas não sossego nunca."

Trecho do poema "Acordar" do Fernando Pessoa... e é exatamente assim como me sinto... um interesse ávido por tudo... fico pensando se, como eu, Fernando Pessoa estava tentando, com este interesse por tudo, fugir do que realmente era importante pra ele para escapar ao fracasso e à frustração. Trazer o universo ao colo uma vez foi arte! Será que eu conseguiria de novo e pra sempre? <3

São 22h10,  e eu vou tomar banho e dormir. Boa noite!

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