Ja passou, entao posso publicar {2}

Há uns dias atrás eu estava pensando em como seria bom poder ver minha própria vida de outro ponto de vista, talvez por isso eu me importe tanto com a opinião que os meus amigos têm de mim. Nessa semana que estive em Manaus passei por uma experiência que me deixou sentir um pouco disso. Parece que a minha vida deu uma paradinha pra eu respirar. Me sinto como se nestes últimos 7 dias eu pudesse me observar num ponto de vista de fora do meu corpo. Parece que eu pude olhar pra dentro de mim mesma sem ter que reagir, sem ter decisões a tomar. Eu pude parar um pouco. E como é bom parar. Como eu estava precisando disso! Pude me ver com maior clareza. Diferente de quando me olho no espelho, a imagem que vi foi o reflexo do meu interior, meus desvios, deformações, carências. Enxerguei minhas próprias demandas.
As vezes eu encaro minha própria alma como uma estrada esburacada, onde se põe ali um remendo, um enxerto, quando o que eu realmente preciso é arrancar aquela camada de asfalto e colocar um novo, sólido e eficiente piso. Como aquele machucado que a gente não lava direito e só põe ali um band-aid. Minha alma não precisa de remendo. Precisa de remédio.

Sempre aprendo muito sobre mim mesma quando convivo com meus pais, irmãos, tios, primos... Quando tomo a sopinha da mamãe, ou como o bolo que a vovó faz e que tem o mesmo delicioso gostinho de infância. Apesar do curtíssimo período que estive por aqui, pude revisitar alguns dos meus valores que também foram se esburacando e se deformando pelo caminho. E vejo que não sou assim madura como eu previa. Eu quero um coração e uma alma que não oscilem. Eu quero valores que não oscilem. Ou quero aprender a ser menos dura comigo mesma. Uma coisa é fato: eu me amo. Sempre me amei. Sempre vou me amar. E muitas vezes que eu me machuquei foi porque me assalta uma preguiça e um medo de olhar para dentro da minha alma, pista esburacada, verificar a necessidade arrancar o asfalto velho e colocar um novinho no lugar. Pode ser que seja preguiça de correr atrás do que eu sonho pra mim mesma. Pode ser preguiça de pagar um preço ainda mais alto que se paga quando se tem a plena e firme consciência de que se amar custa caro. Mas a convivência com minhas raízes me dá energia pra encarar o que for preciso pra ser feliz e completa.
E por isso eu tomo um pouco mais de fôlego e assumo que me amo. Antes de amar qualquer coisa ou pessoa, eu me amo.

Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, Manaus, Amazonas, 01h58 do dia 19 de julho de 2010.

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