quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Já passou. Entao decidi compartilhar


Manaus, 14 de julho de 2010.
São 11 horas da manhã no horário local, e devo reconhecer: não está tão quente aqui. Ontem eu estava na rua esta hora, e agüentei firme a temperatura de 35º graus. Estou sozinha aqui na casa dos meus irmãos. Quando estou entre as pessoas evito pensar nos meus problemas porque outras coisas e pessoas daqui me ocupam. Ainda estou triste, e agora estou assim porque cada vez mais vejo o quanto sou culpada por tudo que me acontece. Esse peso que colocamos sobre nossos próprios ombros costuma ser deveras cruel.
Sim. A culpa é minha. Mas uma culpa eu não carrego: nunca fiz nada com a intenção legítima de machucar alguém, de me vingar, de ser vil. Tudo isso estava em mim, eu sei, mas de maneira indireta. A culpa estava na consciência de saber que tudo que eu faço tem conseqüência direta na vida das pessoas, mas a intenção não era magoar nem ferir. Eu quis me divertir, eu quis fazer algo por mim e pela minha auto-estima... e acabei sendo egoísta e inconseqüente. Logo eu, que sempre me julguei tão... (esqueci a palavra que deve ser usada quando o sentido que se quer passar é que você “age pelos outros, em detrimento de si mesma”... devo ter esquecido porque talvez ela represente uma realidade que não é a minha, ou talvez essa palavra não exista mesmo).
 Ontem fiquei com vergonha quando, na casa da minha vó, uma das minhas tias sugeriu: vamos marcar um almoço no domingo e chamar toda a família para que a Beth possa encontrar com todo mundo! Me senti tão amada que fiquei constrangida. Eu sei que isso é uma coisa tão boba, mas eu fiquei tão feliz. 

Vejo com certa resignação as coisas não darem certo ao meu redor, e com crueza essas coisas que desabam me atingem. Interrompi, por hora, minha tentativa de achar uma solução para os meus problemas, e para os problemas dos outros à minha volta... queria arrancar isso de mim com a mão. Não consigo. Então choro. Quem sabe um dia essa dor do fracasso e da frustração acabe. Queria que essa amargura fosse embora com o suor que sai do meu corpo nessa cidade tão quente. Já não me sinto confusa (e talvez a confusão retorne logo). Parece que as poucas opções que tenho estão tão compactadas e pesadas pra caberem na minha mente que minha cabeça parece um bloco de concreto. Tento acessar minha mente e bato no concreto frio e duro. Sinto-me triste, como se ao meu redor só houvesse luto... uma profunda sensação de  que eu transformei tudo que toquei em pó e cinza. Eu quis construir um castelo e o fiz sobre uma base de areia. Eu conheço o que isso quer dizer. E arrogantemente sinto que só nisso tenho razão. Não foi o que sonhei.
Queria sair de férias para um país distante onde ninguém me conhecesse, onde eu não soubesse o idioma local e não me fosse permitido conversar com ninguém. Só eu e Deus. Mas... não é isso que se chama fuga? Não sou eu a Mulher Maravilha? The Superwoman? Não fui eu a ensinada a resolver meus problemas, a encará-los de frente e fazer todas aquelas outras coisas que as mulheres super poderosas (como eu) tem que fazer? Daria certo me esconder? Logo eu, que tenho essa imbecil necessidade de dizer: olhem para mim, olhem como sou inteligente, como sou sexy, como sou articulada, olhem como sou carente, boba, olhem como preciso e mereço a atenção de vocês... Olhem agora como sou bem sucedida, como sou frustrada, como estou gorda! Vejam, não tenho mais 17 anos, agora posso fazer quase tudo que eu quiser... olhem como (diferente dos meus 17 anos) não faço mais o que não quero! Será que, diferente dos meus 17 anos, eu só faço o que quero?
Nem sei o que quero e o que não quero. Quando eu tinha 17 anos eu era mais madura, mais segura, meus valores pareciam mais sólidos, eu sustentava opiniões com mais naturalidade, e não como quem se agarra num objeto que flutua em pleno oceano em fúria.
Quem sou eu em alto mar?


12h25 Assim que eu cheguei em Manaus fiz uma das coisas que mais gosto: tomei sorvete de tucumã e açaí, e me lembrei do tanto que eu gosto de ser amazonense!
Na segunda-feira fiquei muito animada. Conheci mais 7 arquivistas do Brasil. Quatro deles do Rio Grande do Sul, duas de Londrina e um do Espírito Santo. Na verdade, este do ES eu (re)conheci: era o querido Marcos da ENARA e da AARQES, que eu só conhecia da troca de emails. Ele queria ir ao Zoológico e para ir conosco chamei minha mãe, que é uma figura animada e que não deixa nenhum papo morrer... mas quando chegamos lá estava fechado. Aproveitamos a tarde e fomos à Marina do Davi, ao Zoológico do Hotel Tropical Manaus, depois passeamos na Praia da Ponta Negra (que estava sem praia por causa da cheia dos rios da região.
Ontem fui almoçar no Manauara Shopping (naquele ambiente externo super agradável, no meio do “mini-mato”) com a Fernanda, uma arquivista paulista muito figura! Depois fui ver minha vó. Sabe por que eu adoro a casa da minha vó? Porque num instante junta uma parentada e tudo vira festa. Num instante, qualquer lanchinho de fim de tarde vira um banquete divertido.
Hoje resolvi parar quieta, porque na segunda e ontem não fiquei em casa. Então to por aqui, tranqüila.

Beijo pra vocês!

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