o ano em que meu coração caiu da mudança

Estou há tempos ensaiando o dia de voltar aqui neste blog, de voltar com meus devaneios a respeito das músicas que ouço, das poesias e crônicas que leio (de fato, meus tipos favoritos de literatura), das coisas que presencio e que escuto... fato é que este ano foi o ano em que meu coração ficou perdido tal como cachorro que cai da mudança.

Sofri de amor e por amor este ano mais do que sofri a vida inteira. E olha que eu já penei por muita coisa nessa vida, mas nunca senti dor tão lancinante quanto esta: a do coração. Me apaixonei, me divorciei, senti saudade, me entreguei, me arrependi, conheci pessoas, me diverti, me confundi, me machuquei... fiz tudo que o jogo propõe a quem está nesta fase. E meu coraçãozinho quase não aguenta tantas emoções (a maioria fugazes, reconheço).

Eu nunca gostei dessa história de pegação, e depois de quase nove anos me relacionando com um único homem (meu ex-marido), eu tive que aprender (e ainda estou aprendendo) que a briga é feia do lado de fora de uma relação estável e madura. Existe um jogo que eu nunca aprendi a jogar e que agora me confunde. Eu nunca precisei disso. Acho que uma relação começa quando existe afinidade e quando as duas pessoas estão no mesmo desejo, na mesma energia, querendo as mesmas coisas, assim como acho que uma relação termina quando esse sistema acaba. Nunca dei o famoso "toco" em ninguém porque não alimento esperanças de ninguém se eu sei que eu não quero. Assim como eu não me aproximo de alguém com o qual eu não tenho a menor chance. É assim: há uma troca de olhares, há um papo, há uma reciprocidade. ou não.

Amor? É o que vem com o tempo. Nunca vivi um lance onde uma das duas pessoas amasse a outra antes de se relacionarem. Acho perfeitamente possível que um casamento "arranjado" possa dar certo porque sei que não existem fórmulas para certas coisas.

Algumas pessoas perguntaram o motivo pelo qual meu casamento acabou. Isso não vem ao caso agora. Só digo uma coisa: meu coração está carente, minha alma está carente e eu vou sufocar qualquer pessoa que tente se relacionar comigo neste momento. Quero sim amar alguém deste momento em diante, quero sim me relacionar agora mesmo, ter alguém pra quem perguntar como foi o dia, beijar na boca, fazer amor, ouvir música, e todas as coisas que as pessoas normais fazem. Mas não posso agora. Na verdade nem sei mais o que um casal de namorados faz. Será que um casal de casados faz coisas diferentes? Mas sei bem que não estou pronta, que não tenho serenidade suficiente, que muita gente acha que este intervalo sozinha é natural e saudável. Então vamos lá. Em 2011 quero continuar me divertindo, continuar vivendo histórias, conhecendo pessoas, mas quero que esse cachorrinho que caiu da mudança (meu coração) encontre um dono feitinho pra mim.



Hoje eu inauguro uma nova tag para este blog, e ela vai se chamar "Coração".

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