A vida sexual da mulher feia

Oie, queridos dois leitores.
Nos últimos dois dias me detive num daqueles livros que não nos deixa desgrudar. Eu li "A vida sexual da mulher feia", da Cláudia Tajes, Ed. Agir. A primeira impressão (e segunda e última) é que se trata de um livro engraçado. Dei muitas gargalhadas lendo-o, mas parei para pensar um pouco e vi que o livro trata de um problema emocional (quase de um problema social dado o número de mulheres que se identificam com as situações retratadas por uma protagonista problemática). O livro fala de mulheres com auto-estima baixa, feias ou não, que não se amam, que não se conhecem e que não conhecem o amor, e que se encontram em estado de apaixonite (e conforme a autora, mulheres feias estão SEMPRE apaixonadas).
Sabe o que me preocupou, e apesar de todas as gargalhadas que dei, me entristeceu um pouco? Eu consegui perceber alguns elementos no discurso com os quais a maioria das mulheres já se identificaram em algum momento da vida, ou em todos. Vem comigo:
  1. Algumas mulheres nunca foram amadas, nem mesmo dentro das suas próprias casas, por aqueles que por natureza ou vocação deveriam ser supridores de amor: seus pais;
  2. Quando a mulher não é amada, anda como cachorrinho em busca de amor, e procuram em qualquer fonte. Ao procurar amor, não acontece uma seleção. Ele pode vir de qualquer um, e normalmente as relações não passam de uma convenicência do tipo "eu estou sozinha e ele também, então por quê não?";
  3. Algumas mulheres estão sempre apaixonadas não por um par, mas pelo próprio amor, ou pela possibilidade de viver um;
  4. Algumas mulheres se agarram em qualquer sinal de afeto ou de atenção, achando que ali naquele oásis está a sua Terra Prometida;
  5. Algumas mulheres desabafam a carência na comida, ou em algum outro vício;
  6. Nem todas as mulheres tem problemas com o amor. Algumas delas simplesmente o ignoram para cuidar da carreira, da profissão ou de qualquer coisa que seja, o que acaba se misturando com o item anterior onde eu falei sobre vício.
De repente tem algum outro elemento que não me recordo agora, mas os que eu lembro são estes. O que ficou mais marcado para mim: TODA MULHER QUER SER AMADA. E, na minha opinião, todas merecem. As vezes as mulheres se sujeitam a cada situação constrangedora, difícil e muitas vezes perigosa, simplesmente por acreditarem no direito de amar e ser amada. Mulheres fazem cada loucura por causa de carência. Mulheres confundem os sinais, as intenções... mulheres sabem SIM o que querem: cuidar e serem cuidadas, amar e serem amadas. Só não sabem o caminho, o modo, a hora, só não sabem onde, quando, como e com quem encontrar o amor.
Tenho uma teoria: amor é substrato. Já falei disso aqui neste post. A maioria das mulheres tem amor para si e para os outros (deve ser por isso que Deus deu a nós a responsabilidade de carregar a continuação da espécie em nossos corpos). Mas o amor que as mulheres precisam é outro. E não somente esse do qual somos dotadas.
Bem, era só isso que eu queria dizer. Queria fazer um registro do livro de alguma forma. Um livrinho muito fácil de ler, daqueles que você resolve numa sentada.
Beijos amorosos.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Iluminação sem gesso

Cortinas para a casa nova dos meus amigos Lai e Lu

Discurso que proferi na minha colação de grau do curso de Arquivologia, da UnB, dia 03 de fevereiro de 2009, em Brasília.