terça-feira, 18 de maio de 2010

Os Gêmeos - Vertigem






Domingo passado fiz um programa muito bacana: fui ver a exposição "Vertigem", d'Os Gêmeos, aqueles caras do grafite, no CCBB Brasília. Minha intenção aqui não é fazer uma matéria. Nahima Maciel, do Correio Brasiliense, já fez isto, com muita propriedade. Clica aqui pra ver, tem até vídeo e entrevista. Daqui do trampo nem deu pra eu ver o vídeo, mas assim que eu chegar em casa vou conferir.
Eu vim dizer o que me marcou. Como já disse aqui antes, não entendo muito de artes plásticas, mas acredito que a arte deve falar algo ao seu expectador, ao seu ouvinte, ao seu vivenciador. Porque a arte que me toca acaba fazendo com que eu a vivencie. Eu já tinha ouvido falar deles e sabia que a exposição estava aqui em Brasília, mas não me empolguei muito a ir, até que maridex foi e voltou maravilhado, dizendo que eu tinha que ver aquilo. Por isso no domingo me arrumei e fui. Estava uma bela manhã de sol, propícia para este tipo de programa. Achei que eu ia chegar lá e ver um monte de paredes grafitadas. Ledo engano.
Eu coloquei aí em cima o que mais me chamou a atenção, sendo que as imagens todas foram caçadas na web, e os créditos estão abaixo.
  1. A primeira imagem, a parede, realmente provoca uma sensação de tontura, de vertigem... parece que a parede avança sobre você, parece que está caindo. É uma sensação bem diferente, e estranha, e gostosa ao mesmo tempo;
  2. Dentre as imagens da parede, duas me chamaram muita atenção. A primeira foi uma que me identifiquei muito: era uma mulher de costas, com o rosto virado pra frente, com lindos cabelos avermelhados, suspensos para o ar. Entre seus cabelos haviam várias outras cabeças entrelaçadas. E eu me identifiquei muito com isso. Quantas mulheres cabem em uma só? Outra que me chamou a atenção foi a mulher reclinada sobre o encosto da cadeira, também com cabelos avermelhados. Na hora que a vi lembrei da bela canção "De onde vens", parceria de Dori Caymmi com Nelson Motta, cuja letra está abaixo. Era uma linda mulher, com um apelo sexual forte devido à sua aparente nudez, e suas botas de salto e cano alto. Senti muita melancolia no seu olhar, senti sua solidão. Que ironia, não é? Uma bela mulher... porém solitária. Me identifiquei com ela também;
  3. A terceira coisa que me fisgou foram as inúmeras cabeças: sobre carros, penduradas, impressas em cubos, em todos os lugares haviam cabeças. As maiores tinham uma coisa ainda mais curiosa: as orelhas eram janelas antigas. E é exatamente desta forma que eu me relaciono com os sons! Os ouvidos são janelas de onde "enxergo" e percebo o mundo, o recebo e envio comandos para que o meu cérebro processe. As vezes meus ouvidos são mais importantes que qualquer outro sentido. Por isso essa minha "sintonia afinada" com a música, com as vozes. Sobre um carro, uma cabeça "aberta": na parte frontal, por trás do rosto, inúmeros rádios e relógios antigos; na parte "interna" da mente, inpumeros espelhos. Seria uma tentativa de estabelecer um contraponto entre o antigo e o novo convivendo no mesmo espaço? Não sei. Foi assim que vi.Existe o certo e o errado na percepção individual da arte?
Bem, por enquanto é só. A exposição no CCBB Brasília vai até dia 25 de Maio. Maiores informações aqui.

De Onde Vens

Composição: Dori Caymmi / Nelson Motta

Ah, quanta dor vejo em teus olhos
Tanto pranto em teu sorriso
Tão vazias as tuas mãos
De onde vens assim cansada
De que dor, de qual distância
De que terras,de que mar
Só quem partiu pode voltar
E eu voltei prá te contar
Dos caminhos onde andei
Fiz do riso amargo pranto
No olhar sempre teus olhos
No peito aberto uma canção
Se eu pudesse de repente te mostrar meu coração
Saberias num momento quanta dor há dentro dele
Dor de amor quando não passa
É porque o amor valeu


Crédito das imagens:

Nenhum comentário:

As multidões

Nem todos podem tomar um banho na multidão: ter o prazer da turba é uma arte. Só assim se pode oferecer, à custa do gênero humano, um b...