domingo, 30 de maio de 2010

Queixa

Tomei a iniciativa de retirar o último post do blog porque o reli hoje de manhã, com a cabeça fresca, e vi que seu conteúdo era deveras íntimo. Como diz o título deste atual post, aquele era um grito, uma queixa, um choro de criança ante a sua latente impotência.

Porém, após ter decidido tirá-lo do ar (e eu sei que essa internet faz com que deixemos rastros), a vida me presenteou com o redescobrimento de uma canção que eu conheço desde quando me entendo por gente: Queixa, do Caetano Veloso. Há dias esta letra martelava na minha cabeça, e hoje eu chorei a cada palavra cantada pelo Caetano... e senti que a cançao falou exclusivamente comigo pela primeira vez na vida. Isso não é muito louco? De repente, uma música de um disco de 1982 (eu nasci em dezembro de 81, então ha uma ligeira possibilidade dela ser mais velha que eu) se mostra, se revela, passa a fazer todo sentido. Escutem esta bela versão. Vejam que bela Queixa! Obs: as imagens do vídeo são bem bregas... tipo: quando ele canta "princesa..." aparece uma princesa tipo disney.. afff....




A letra:

Um amor assim delicado
Você pega e despreza
Não devia ter despertado
Ajoelha e não reza

Dessa coisa que mete medo
Pela sua grandeza
Não sou o único culpado
Disso eu tenho a certeza

Princesa, surpresa, você me arrasou
Serpente, nem sente que me envenenou
Senhora, e agora, me diga onde eu vou
Senhora, serpente, princesa

Um amor assim violento
Quando torna-se mágoa
É o avesso de um sentimento
Oceano sem água

Ondas, desejos de vingança
Nessa desnatureza
Batem forte sem esperança
Contra a tua dureza

Princesa, surpresa, você me arrasou
Serpente, nem sente que me envenenou
Senhora, e agora, me diga onde eu vou
Senhora, serpente, princesa

Um amor assim delicado
Nenhum homem daria
Talvez tenha sido pecado
Apostar na alegria

Você pensa que eu tenho tudo
E vazio me deixa
Mas Deus não quer que eu fique mudo
E eu te grito esta queixa

Princesa, surpresa, você me arrasou
Serpente, nem sente que me envenenou
Senhora, e agora, me diga onde eu vou
Amiga, me diga...

Composição de N. Siqueira e Ezequiel Neves.

Beijos!

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