quarta-feira, 3 de março de 2010

Desconfortável

Tenho um corpo emprestado
num terno puído
e um nó de gravata
de entristecer domingos.
E não me basta um só tropeço.
A cidade não é o meu lugar;
o trabalho não é o meu lugar;
seu amor não é o meu lugar.
Tenho um jeito de quem chegou primeiro na festa de um desconhecido.
Ninguém me conhece.
Mas me tratam como amigo.
Como, bebo e passo mal no banheiro.
Vou embora desacompanhado.
E os demais se perguntando: quem era fulano? Um parente distante? Um fantasma? Um abacate?
Como seria
se um dia
eu acordasse
satisfeito?
(...) com o amor,
com o dinheiro,
com o corpo,
com o emprego,
com o almoço
ou a quantidade de água que sai do meu chuveiro.
  
Talvez morresse de tédio
Talvez fosse feliz
Talvez fosse médio
Talvez.
  
Flor distraída do asfalto
quem te pisa?
Gilberto Amendola
Eu sei... já postei esse mesmo texto do Amendola aqui uma vez... mas hoje eu estou tããão me sentindo assim nesta vibe. Se este poema fosse uma peça de roupa eu o vestiria e caberia perfeitamente, diria mesmo que foi feito pra mim. Certamente você já sentiu isso antes.
Hoje eu tive um dia de altos e baixos: fiquei sabendo que passei em segundo lugar num concurso pra uma vaga de SP (mas é só uma vaga, logo não sei se vou entrar), meu marido não curtiu muito menos festejou a idéia... depois meu chefe me deu uma notícia péssima, que me deixou bem triste e insatisfeita... Mas, como perguntou o Gilberto: "Como seria se um dia eu acordasse
satisfeito?"
Um beijo!
P.S. Imagem da Web

Um comentário:

Pixaim disse...

Oie...
Em primeiro lugar! PARABÉNS PELA APROVAÇÃO.
o tempo e seu coração vão de dizer o que é melhor...

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