Sobram vagas no curso de Música / UnB

Perfil erudito e prova de habilidades específicas espantam candidatos. Nova graduação em Música Popular começa em 2010
Marta Avancini - Da Secretaria de Comunicação da UnB

O bacharelado em Música é o curso com menor procura no 2º Vestibular de 2009 da Universidade de Brasília. Menos de um candidato concorrerá a cada vaga: 0,73. Ao todo, há 21 vagas disponíveis. Na licenciatura, que será oferecida no período noturno, a situação não é muito diferente. Apenas 28 candidatos disputam 21 vagas. A relação candidato/vaga é de 1,33.

A partir do próximo ano letivo, porém, os professores da área acreditam que essa realidade vai mudar por causa da oferta de um novo bacharelado: em Música Popular. De acordo com o chefe do Departamento de Música, Alciomar Oliveira dos Santos, o novo curso atende uma demanda antiga do meio musical de Brasília. "O nosso curso mantém um perfil muito parecido com o original, criado na década de 1960, e foca a formação erudita", explica. O objetivo é formar músicos eruditos e instrumentistas em 16 habilidades.

Para os especialistas, o perfil atual afasta muitos jovens interessados em música popular. (...) Atualmente, os candidatos que querem ser docentes podem optar pela licenciatura em Artes Plásticas com habilitação em Música, uma alternativa sem o foco na música erudita. "Essa clientela passará a ser atendida pelo bacharelado em Música Popular".

(...)

A renovação do curso de Música está sendo feita por conta do aumento de vagas e da contratação de novos professores. Segundo Alciomar, durante muito tempo, não se contratou novos docentes e os profissionais do quadro foram sobrecarregados. "Houve casos de professores assumirem quatro ou cinco disciplinas, o que prejudicou o curso", relata. A previsão é de contratar 13 novos docentes. Outros 27 já compõem o quadro do departamento.

HABILIDADES - Alciomar acredita que a divulgação em datas diferentes dos editais para o vestibular e a certificação de habilidades específicas, exigida em alguns cursos como o de música, prejudicou a procura pela graduação. Ele acredita que muita gente perdeu os prazos e deixou de se inscrever. Os alunos que não participam da certificação específica não podem concorrer às vagas do vestibular. Essa deficiência, diz ele, será sanada nos próximos concursos.

As provas específicas são difíceis e alunos, ex-alunos e o próprio chefe de departamento são unânimes quanto ao desestímulo que elas causam nos candidatos. "É difícil passar na prova. Só quem sabe muito consegue", opina Pedro Henrique Simões Boechat, que cursou o primeiro semestre de música na UnB, mas abandonou o curso. "Ele exige dedicação integral dos alunos e isso nem sempre é possível no meio musical". Boechat é pianista e é responsável por um estúdio na Asa Norte, onde atua na área de música popular.

Para ele, a ênfase excessiva na música erudita foi um dos fatores que o desestimulou a ir adiante. "Cheguei à conclusão de que não seria necessário ficar quatro, cinco anos dentro de uma universidade e sair com diploma de músico erudito para trabalhar na minha área". Por isso, ele diz ver com bons olhos a criação do bacharelado em Música Popular.

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