quinta-feira, 11 de junho de 2009

Paula Lima e o seu Samba Chic




Eu ia escrever de próprio punho, sobre o novo DVD da Paula Lima, mas eu concordo com muito do que a Patrícia Palumbo fala neste texto abaixo. Conheci esse som no Grazie a Dio, em SP, e elegi essa música como trilha sonora da minha viagem. Quanto ao texto, adiciono pouca coisa: eu não gostava muito do som da Paula porque não curto o timbre dela, sem falar que acho meio brega quando ela dá aqueles gritinhos nada sensuais tipo "Cadê o gritinho das meninaaaaas?" ou quando começa a cantar uns scats muito "tchurapichura". Ela é linda, tem um visual super marcante, ela parece ser um cheiro no cangote de tão fofa... Mas esse DVD Samba Chic tá Chic demais: o suingue do grupo é contagiante, o repertório foi muito bem escolhido, os convidados são de primeira linha, os arranjos de voz (backing vocal) estão lindos e fogem do convencional, e o pretinho da guitarra é o fino do visual do palco. Todo poder ao povo preto! Leiam o texto da Palumbo. Comprem o DVD. Bjins

OBA, LÁ VEM ELA! O SAMBACHIC DE PAULA LIMA

- por Patricia Palumbo

Oba, lá vem ela! Vem com um samba envolvente, “benjoriano”, um monumento à beleza brasileira. A banda segura o groove e ela entra “chic”, puro style, arrebatando a platéia já de cara, comandando a massa. Paula Lima… mulher brasileira, bonita, exuberante. Ela tem a qualidade da estrela, pertence ao palco e o palco, sem dúvida, é o seu lugar.

SambaChic é seu primeiro registro em DVD, depois de 3 discos solo, depois de marcar presença no paulistano Funk Como Le Gusta e participar de vários projetos de hip hop, funk, soul e o que mais pintasse de boa música brasileira ou black brasileira. O SambaChic de Paula Lima é diferente, urbano e contemporâneo.

O show foi gravado na Casa das Caldeiras em São Paulo (SP), em agosto de 2008. No comecinho da festa já se pode ver a animação do público: palmas no ritmo e corpos no balanço.

De cima do palco e em cima do salto, Paula samba “no miudinho” o primeiro Arlindo Cruz da noite. O baile SambaChic alterna os gêneros, mas sempre com o groove comendo solto, arrepiando. Tem balada, algum acento funk, tem charme, tem balanço e tem samba. Tem samba “no sapatinho” de Guto Bocão da Vai Vai, chamando a platéia pra dançar: uma fera que divide palcos e estúdios com Paula Lima há pelo menos 7 anos. A intimidade tá na cara, tá no som, na alegria.

Quando entra “Sai Daqui Tristeza” (balada boa do primeiro disco), Paula aproveita para soltar a voz, exibe sua fabulosa extensão; o som sai aberto e contagiante.

Tá aí uma mulher talhada para o palco, para o sucesso. Paula tem essa vibração que contagia, um alto-astral incrível, elogia com superlativos e, o tempo todo, deixa explícita sua admiração pelos amigos, pela banda, pela música. E ainda tem os cabelos – um capítulo à parte – e a sua aparência, repito, exuberante…

Em todo momento ela transmite sem medo e sem pudor a felicidade de estar no palco, de se mostrar inteira nessa opção por cantar. E vem “Negras Perucas” com Toni Garrido – só o encontro já é um manifesto de beleza negra. Mas é aqui também que se pode notar, com destaque, num solo de guitarra de Walmir Borges, que Paula Lima incorpora um Waly Salomão e rompe todas as fronteiras musicais. Entra Hendrix no samba com guitarras distorcidas e entram scracths em “Gafieira S/A” injetando hip hop num funk cheio de pressão. Paula Lima é musicista, o que pouca gente sabe. A moça estudou piano clássico dos 7 aos 17 anos e agora toma conta do seu som. Sabe o quer e sabe como quer.

E nessa brasileiríssima mistura, essa cantante também formada em Direito pelo Mackenzie, além de Jimmy Hendrix, podemos perceber elementos tão diversos como o já citado Benjor, Quincy Jones, Jovelina Pérola Negra, Clementina de Jesus, Tom Jobim e Ella Fitzgerald, entre tantos outros.

O som finaliza único, coeso, forte, com pegada e personalidade própria, porque Paula Lima tem maturidade musical para gerenciar todas essas paixões e influências. Claro, com o apoio luxuoso e fundamental desse time de primeira reunido para o DVD. Uma banda de feras, som redondíssimo.


O baile continua e lá vem o excelente Sidney Miller com “É Isso Aí”, que foi sucesso de Doris Monteiro, rainha branca do samba-rock, e que agora é marca registrada da nossa diva. Ela brinca com as meninas da platéia, faz provocação com a letra, chama e dirige o coro.

Walmir Borges, grande parceiro, é quem dirige com Paula a parte musical deste espetáculo. Vai da guitarra ao cavaquinho, assim como o repertório que passeia de um gênero a outro sem perder o ritmo e, de novo, o balanço.

Outras presenças marcantes no repertório de SambaChic: a dupla hit maker Ana Carolina e Antonio Villeroy com “Eu Já Notei”; duas sambistas e uma fazedora de canções: Mart’nália, Ana Costa e Zélia Duncan, com a balada “Novos Alvos”; e Seu Jorge com várias músicas desde sempre na carreira de Paula. Ele tem uma presença forte e uma química evidente no palco com a parceira. Uma história antiga que faz bater mais forte o coração.

Paula agora surge também mais forte como compositora ao lado de Márcio Local e cria um balanço delicioso que nos “obriga” a mexer o corpo na inédita “Vou Deixar”. Além dessa, nos apresenta um hit do próprio Local, “Samba Sem Nenhum Problema”, já que como diz a cantora, “Samba aqui só traz solução”.

SambaChic continua e, como se não bastasse essa constelação, ainda aparece, linda e generosa, Dona Ivone Lara para repartir sentadinha, e até sambando um pouquinho, um dos momentos mais delicados desse DVD. Ali se percebe a pessoa amorosa que é a artista Paula Lima, o afeto é parte fundamental nesse mundo que ela nos apresenta.

E quando entra Carlinhos de Jesus o baile esquenta até no palco. O pas de deux é de arrebentar coroando quase duas horas de um prazeroso espetáculo protagonizado e conceituado por Paula Lima.

Beleza, elegância, simpatia, gentileza, uma voz singular e talento de sobra: essa é Paula Lima. A platéia atende e balança e sabe que a festa só termina quando ela for embora. Tá aí o baile que ela sempre quis fazer, registrado em DVD.
Como ela mesma diria: “- Amei!”.

Um comentário:

Ruby Fernandes disse...

Pois é menina! Começamos a namorar com 15 anos!!! Nem vi o tempo passar. Bjokas flor.

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