domingo, 24 de maio de 2009

Sou fã do Leo Jaime

"Eu gosto das mulheres

Antes que o querido leitor tire conclusões, peço que examine cuidadosamente o titulo acima. Não é uma frase simples, ou melhor, é uma frase simples, mas de significado complexo, plural. Dita assim, solta, no meio de uma conversa, pode significar algo raso e pobre em conteúdo como a expressão de uma preferência sexual. Não, nem de longe. Se fosse para dizer isso, a frase seria, ou poderia ser: "eu gosto de mulher". E mesmo assim haveria miríades de significados embutidos. Gosto do sexo feminino. Em todas as idades e funções. E não desgosto de ser homem ou da companhia e amizade de homens. Vá lá, interprete como quiser: gosto de homens como gosto de mulheres. Mas também gosto delas quando mesmo não as amo. Não é uma questão de preferência ou orientação sexual, é um gosto. Para gostar de mulheres ou de homens não é preciso preferir uma coisa ou desgostar da outra. Por exemplo: tanto faz, para mim, se um filho que me chegue seja menino ou menina. Vou amar incondicionalmente. E incondicionalmente implica isso: em aceitar as coisas e as pessoas como elas são e interagir com elas assim.

Gosto das senhoras de idade. E mais uma vez peço licença para esclarecer: não estou confessando nenhum fetiche. Lembro de minha avó, do quanto a amava, ainda muito pequeno, e como a admirava em frente à penteadeira. Ela se enfeitando para depois me levar para passear. Demorava horas naquele ritual. Acho que não enxergava bem e, por isso, tinha que passar batom e corrigir várias vezes. Nunca usou óculos porque era muito vaidosa. E levava sempre o netinho em seus passeios no começo da tarde. Ela tinha um trabalho interessante: decorava igrejas com as flores que cultivava em nosso jardim e também com outras que encomendava não sei onde. Eu fazia com ela o périplo pelas igrejas, vendo as belezas que ela produzia e comendo uns restinhos de hóstia, de tanto em tanto, o que eu adorava. Talvez por ela, pelo amor que tive a ela, tenha sido sempre muito interessado em conversas com outras vovós. Aprendi muito com a minha. Sei ver as horas no relógio graças a ela. E só sei amarrar os sapatos de uma maneira muito tosca, diria infantil, também graças a ela. Nunca quis aprender de outro jeito. Não precisava.

Adoro meninas. De todas as idades. Atenção, não estou confessando nenhum impulso horrendo, estou apenas dizendo que meninas, bebês, garotinhas, em geral, me fascinam. É um outro mundo! E é um outro mundo desde o primeiro dia! E esse mundo, estranho e imprevisível, que acontece à minha volta em milhares de criaturas, me fascina. Quero aprender, entender, conhecer as regras e caminhos de raciocínio e nada! Qualquer menina de dois anos me deixa desconcertado. Também gosto dos meninos, eles me remetem a algo enterrado dentro de mim. Algo que considero o melhor em mim. Algo que já fui, antes de ser manchado pela poeira do tempo e conhecer o amargo da vida. Meninos me encantam pela inocência que já tive, meninas pelas coisas que não fui, não sou, não serei e que amo sem compreender. Talvez por não compreender. Sempre fui amigo das meninas na escola. Dos meninos também, claro. Mas reparava que não eram muitos os meninos que gostavam de conversas longas com meninas. E as meninas, essas sempre gostavam de conversas longas. Bom, acho que elas morrem adorando conversas longas, mesmo que seja com o padeiro ou a manicure. Mulheres gostam de conversar, ponto.

Gostava de brincar com meninas, mesmo de brincadeiras que achava chatas, porque sabia que meninos também têm brincadeiras chatas, então tanto faz. Pelo menos estava brincando. Quando comecei a escrever foi para atrair atenção. Para tentar desenvolver em mim algum atrativo. Para ser aceito. Para driblar minha timidez e dizer do meu jeito, pensando e musicando, as coisas que explodiam no meu peito. Sempre fui de paixões intensas e dramáticas. E sempre tive muita vergonha disso. Escrever textos ou canções era, ou é, uma forma de canalizar essa dramaticidade. Para mim, era mais fácil dizer certas coisas ao público do que a uma única pessoa. Sério. Prefiro cantar para 100 mil pessoas que dizer algo íntimo para uma pessoa só. Tenho medo de intimidade? É timidez? Vai saber. Talvez por valorizar demais o objeto de meu amor, imaginando-o de alguma forma inatingível, por respeito e admiração, fiquem difíceis as palavras. Adoro o jogo amoroso das mulheres, embora não consiga entender por que elas gostam tanto de idas e vindas, altos e baixos, de conflitos, do modo como observam minuciosamente tudo que não está indo bem, da forma como fazem vista grossa a tudo que funciona. Resumindo: na minha opinião, mulheres nunca estão satisfeitas. São um saco sem fundo, e isso me angustia. Mas mesmo assim eu gosto delas. E não digo que elas gostam de rusgas. É que elas adoram fazer as pazes.

Observo nas mulheres a obsessão de ser mais altas do que são. Sim, homens dificilmente usam saltos e quando o fazem… Quase todas têm isso. Querem ser "diferentes", ou camaleônicas, a cada ano ou estação. Querem usar o que as outras estão usando, gostem os homens ou não; depois tomam horror às coisas que compraram, justamente porque todas as outras estão usando. Têm mania de gesticular demais, de fazer caretas demais, de sempre enfatizar. Para as mulheres não está fazendo um friozinho: está gelado. Elas não estão com dor de cabeça: a cabeça está explodindo. E elas nunca gostaram de um brinco: elas amaram. Mulheres são as melhores amigas das hipérboles e dos sinais de exclamação. E eu acho isso divertido.

Na guerra pacífica entre os sexos, e a contradição dos termos é proposital - afinal os inimigos mais confraternizam que qualquer outra coisa -, há reclamações que são sempre as mesmas. E aqui listo algumas, bem bobas, feitas pelos homens: mulheres deixam calcinhas penduradas no banheiro, aos montes; falam pelos cotovelos e reclamam de tudo; ou estão pedindo ou reclamando; não são objetivas; não têm senso de direção; querem que os homens adivinhem o que elas desejam ao invés de explicitar, etc. O curioso é que ao longo da vida tenho observado que, se um homem se vê livre dessas coisas que aparentemente o incomodam, não fica feliz. Aliás, muito pelo contrário, esse é o retrato do homem cujo peito virou um deserto gelado. Como dizia o caipira: "Mulher sabe fazer muito bem duas coisas: fazer falta e fazer raiva".

Tenho muitas amigas. De longa data e vínculos sólidos. E mesmo tendo gostos parecidos e posições e opiniões relativamente similares diante da vida e das coisas, é sempre bom perceber que elas olham para as mesmas coisas ou situações, nas mesmas horas, e percebem algo diferente do que vi. É exatamente dessa riqueza que não posso prescindir. Tem um milhão de coisas que não entendo nas mulheres. A TPM é apenas uma delas. E eu não estou nem aí. Gosto do pacote. De que sejam assim: indecifráveis e permanentemente surpreendentes. Amigas, irmãs, filhas, mães, chefes, empregadas, amantes, vovós, bebês, adolescentes, não importa. Eu gosto do feminino. Inclusive do feminino que nós herdamos delas ou com elas aprendemos. E que nos permite contar uma história, como faço agora, passeando livremente por idéias e sentimentos. Como foram importantes os passeios que dava de mãos dadas com minha avó, quando contava a minha idade mostrando os dedos.

P.S. Tudo isso para dizer que, se fosse opcional, se desse para vir sem TPM, eu preferia. Acho que todas elas também. Mas aceito o pacote como está. E estou muito satisfeito com a escolha."

Tirei daqui.

Um comentário:

Claudio AZVdo disse...

Também gosto do flamenguista Leo Jaime. Bjs.

Aplicada a conhecer e entender de Cinema

Então... há algum tempo eu ando incomodada com o meu pouco conhecimento sobre cinema aliada a uma péssima memória dos filmes que assisto. Co...