sábado, 4 de abril de 2009

A MINHA MARCA DE XAMPU PREFERIDA

Pessoas... coloco hoje o texto de um blogueiro queridíssimo, de um blog que eu adoro, onde "bato ponto" todos os dias. Espero que vcs gostem, porque eu sou FÃ do Amendola! Ele é lindo e escreve de um jeito que me esmaga. Bjins. Bom sábado!


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Amigos, decidi publicar um texto que escrevi para a minha coluna quinzenal (e domingueira) do JT. Esse texto foi publicado no início de janeiro. Tenho certeza que ele é fruto de todas as experimentações aqui no nosso blog.

Segunda-feira: Empurro um carrinho de supermercado atrás da marca mais barata de xampu 2 em 1. Ao meu lado, uma garota ruiva examina os rótulos e me pergunta de um jeito etéreo:
- Por que ainda não inventaram um xampu capaz de remover músicas tristes da cabeça?
Em três segundos, vasculho o porão do meu cérebro atrás de uma resposta engraçada e inteligente. Não encontro nada, mas arrisco.
- A culpa é dos carecas.
- Sempre achei que a culpa fosse dos surdos - ela rebate.
Estamos rindo.

Terça-feira: Bom, se ela me deu o número do telefone é porque tenho alguma chance. Será que eu ligo? Ensaio na frente do espelho, faço gargarejo, falo sozinho, dou um "pique no lugar", devoro um saco de pipocas de microondas e assisto uma reprise dos Simpsons. Não ligo. Tenho a maturidade emocional de um menino de 12 anos.

Quarta-Feira: Se eu não ligar, uma grande tragédia natural vai destruir um pequeno país do sudeste asiático. Não posso viver com essa culpa. Tomo coragem. "Telefônica informa: esse número de telefone não existe. Favor consultar..."

Quinta-Feira: No meu carrinho, três vinhos argentinos de doze reais cada um, uma loção após-barba, sabão em pó e aquela lasanha congelada com molho branco. Não preciso de nada disso. Só quero encontrá-la outra vez. Dou mais três voltas no supermercado e pronto. Ela continua lá, examinando os rótulos de xampu. A cena é a mesma. Só mudou a cor do cabelo. Agora, ela é morena:
- Por que ainda não inventaram um xampu capaz de remover mulheres lindas e loucas da minha cabeça?
Ela me olha sem surpresa:
- Era só trocar o número 9 pelo número 6.
- O quê?
- O telefone que eu te dei, sabe? Era só trocar o 9 pelo 6.
Estamos rindo.

Sexta-feira: Eu ligo. Cai na secretária eletrônica. Deixo um recado. O dia passa, mas ela não retorna a ligação. Tomo as três garrafas de vinho argentino sozinho e ouço uma seqüência de músicas tristes.

Sábado: Ela me liga. Quer me encontrar no supermercado. Na parte dos xampus. Acho estranho, mas prefiro não discutir. Às 20h, eu estou lá. Às 21h, 22h, 23h, eu continuo lá. Ela não vem... Dou uma volta no mercado. Consigo encontrá-la no corredor dos congelados. Ela não é mais ruiva, nem morena. Agora, é loira. Fico sem saber o que falar. Ela me entrega um xampu.
- Toma, serve pra me esquecer...

Domingo: Passo o dia inteiro embaixo do chuveiro.

Gilberto Amendola, 32, é jornalista e escreve no Haja Saco às quintas-feiras

Um comentário:

Anônimo disse...

Hermana, Muito bom mesmo esse cara!!!!
Vi um filme locado no supermercado agora...
Alexia *:o)

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