quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Escrever ou não? Como posso te dizer?

Parei pra pensar em você, agora, assim, sem querer, bem no meio da tarde. Certos pensamentos não deveriam se materializar... mas para contrariar essa regra existem os blogs. A gente chega aqui e dá a cara ao tapa.... Se eu não fosse uma blogueira controlada, escreveria aqui bobagens demais para uma tarde chuvosa.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Queria ser Dandara

Ela tem nome de mulher guerreira
E se veste de um jeito que só ela
Ela vive entre o aqui e o alheio
As meninas não gostam muito dela
Ela tem um tribal no tornozelo
E na nuca adormece uma serpente
O que faz ela ser quase um segredo
É ser ela assim tão transparente

Ela é livre e ser livre a faz brilhar
Ela é filha da terra, céu e mar
Dandara

Ela faz mechas claras nos cabelos
E caminha na areia pelo raso
Eu procuro saber os seus roteiros
Pra fingir que a encontro por acaso
Ela fala num celular vermelho
Com amigos e com seu namorado
Ela tem perto dela o mundo inteiro
E à volta outro mundo admirado

Ela é livre e ser livre a faz brilhar
Ela é filha da terra, céu e mar
Dandara

Ivan Lins (eu amo esse cara!)

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Movimento inverso

Tenho a alma nua
impregnada no corpo de um vândalo
Passo na tua rua correndo,
Derrubando teu cotidiano
rodeado de margaridas coloridas
da tua segura cerca branca
Vacilando tuas alegrias
delicadas, doloridas,
cuidadas em tua tranca.

Queria que olhasses pra cá
e me visses assim tão aberto
No desacerto desse mundo entreaberto
Subverto o verso
E te ofereço em mil pedaços
abraços convictos
Na vida descoberta,
que inverto, refaço
e te ofereço.

Jogue fora teus dicionários
teus relicários
e tuas certezas guardadas.
Venha correr o mundo comigo.




Elizabeth Maia, 11h06

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Minha Poesia*

A poesia não pede
pra ser
desse ou daquele jeito

O verso é a canoa
que invade o mar
desobedecendo o tempo

Quem não tem máquina
escreve com o coração

Esqueço os dedos no temporal
que me leva a mão


*Apesar do título, esta poesia não é minha, e sim do poeta Ivan Silveira Braga, baiano de Santana dos Brejos, escrita dia 12/10/1989.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Liberdade? Conceito Vago.

Bsb, 15h - Hoje o dia está lindo. O céu está um espetáculo de limpo e azul...

Estou no meu trabalho, gozando da minha pseudo-liberdade de escolher entre o trabalho duro e delicioso ócio do meu lar.

Penso naqueles que nem isso lhes foi dado.

Eles estão tão perto de mim, e ao mesmo tempo tão longe.

Será verdade que vivemos em uma bolha?

Qual realidade é mais real?


Eu sei que a pergunta é esdrúxula.

Discurso que proferi na minha colação de grau do curso de Arquivologia, da UnB, dia 03 de fevereiro de 2009, em Brasília.

Em nome do nosso Patrono, Professor Doutor Rogério Henrique de Araújo Júnior e da nossa Paraninfa Líllian Maria Araújo de Rezende Álvares cumprimento todos os componentes da mesa e todos os presentes nesta cerimônia.

É hora de colocar um ponto final nesta parte da nossa longa jornada. Quando escolhemos este caminho, não fazíamos idéia da dimensão da carreira estávamos a ponto de abraçar. Hoje estamos aqui para marcar o momento final da nossa graduação. Temos consciência que este final marca o ponto de partida de uma nova fase que exige mais de nós, enquanto pessoas e enquanto profissionais; mas também uma fase que nos traz novos caminhos e oportunidades. É hora de começar a escrever novas histórias. Mas, agora queremos relembrar dos muitos momentos que passamos juntos, e que ficarão gravados na nossa memória.

Tivemos, durante a graduação, períodos de grandes lutas: alguns trabalhos nos consumiram madrugadas, passamos por provas que nos aterrorizaram, cursamos disciplinas com as quais não tínhamos nenhuma afinidade. Durante a caminhada perdemos amigos, familiares e colegas muito queridos, que certamente estariam hoje aqui, porque semearam conosco o que hoje estamos colhemos. Jamais nos esqueceremos daqueles que estudaram conosco, e que Deus preferiu levar.
Em todas as nossas batalhas, fomos vitoriosos porque contamos com a ajuda de um time de pessoas valorosas e estamos aqui para manifestar a nossa sincera e alegre gratidão aos que nos ajudaram, nos ampararam, e que depositaram em nós a confiança que precisávamos para chegar ao fim desta etapa.

Em primeiro lugar queremos agradecer a Deus, que nos deu vida e força, alegria de viver, que nunca nos faltou e que nos deu a oportunidade de chegarmos até aqui. Ele nos deu graça, e nos inspirou a tomar a feliz decisão de cursar Arquivologia nesta Universidade. Ele nos trouxe até este dia, onde aqui recebemos um diploma de graduação. Por isso nós somos gratos a Ele.

Não temos palavras para agradecer aos nossos pais, irmãos, cônjuges, avós e demais familiares, que nos criaram, e que nos ensinaram a batalhar pelos nossos sonhos. Agradecemos por nos sustentarem, nos suportarem, e por não terem deixado que nas horas difíceis, nós abandonássemos a nossa missão. Eles nos ensinaram os valores éticos, morais, sociais e espirituais que levaremos para sempre, onde estivermos. Família é um presente maravilhoso que recebemos de Deus.

Agradecemos aos nossos professores, que nos ensinaram os segredos e a beleza da nossa profissão e da nossa missão social e que, com dedicação nos mostraram a Arquivologia. Agradecemos pelas tantas vezes que fomos desafiados a fazer cada vez melhor os nossos trabalhos, a estudar mais, a descobrir, a questionar, a entender o mundo. Agradecemos porque hoje temos instrumentos que podem solucionar problemas e ajudar as pessoas. Lembraremos, com saudade, dos socorros prestados pelo professor Renato, das curiosidades que só o professor Rogério dizia nas aulas, dos slides da professora Lílian, da viagem à Goiás Velho organizada pela doce professora Georgete... Somos gratos porque, enquanto eles se esforçavam para nos fazer crescer como profissionais, melhorávamos como seres humanos e como cidadãos. E devemos isso também a eles.

Agradecemos o apoio dos funcionários da secretaria, que sempre se desdobraram para nos ajudar. Alan, Divino, Will, Yuri, e todos os outros... Sem vocês, nosso departamento pára. Muito obrigada.

Queremos demonstrar nosso respeito e admiração pelas pessoas que partilharam do ambiente profissional conosco, nossos colegas de trabalho, nossos chefes, nossos estimados orientadores, que nos ensinaram dia-a-dia a exercer a Arquivologia, a respeitar as diferenças entre as pessoas, a interagir com o ambiente profissional. Agradecemos a todos que nos ajudaram a construir a prática do nosso dever. Nunca nos esqueceremos da valorosa ajuda de cada um de vocês.

E é assim, com o coração cheio de gratidão, que nós nos despedimos desta fase de graduação. Portanto, não queremos dizer adeus à Universidade, nem às pessoas que dela fizeram parte, nem às pessoas que tornaram este sonho possível. Queremos dizer: “até logo!”, “até daqui há pouco”, onde nos encontraremos no mercado de trabalho, exercendo a nossa profissão com zelo e responsabilidade, onde seremos companheiros de profissão, cúmplices e amigos.

E assim seguiremos, cada pessoa seu caminho, cada arquivista uma história nova, cheia de vitória e aprendizado. Sim, continuaremos aprendendo, sempre lembrando desse momento que se foi, que marcou uma nova etapa, e que estará presente todos os dias na nossa lembrança.
Peço a Deus que nos abençoe, e que abençoe a cada pessoa que esteve presente, nos ajudando na caminhada. E para cada um de vocês dedicamos as palavras de Cora Coralina: “Não sei... Se a vida é curta / Ou longa demais pra nós, / Mas sei que nada do que vivemos Tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas”.

Agradeço à turma por ter me dado esta oportunidade. Tenham todos uma boa noite.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Formatura e outras histórias

Faz tempo que eu não faço um post tipo "olhando para o meu umbigo"... então vamos aos últimos acontecimentos: nas últimas semana minha família esteve por aqui. A casa estava cheia. Papai, mamae, maninho, maninha... e tudo que eu tenho direito: comidinha caseira, muito barulho, carro cheio... essas coisas de família. Vieram para meus eventos de formatura.

O culto ecumênico, apesar das minhas péssimas expectativas, foi muito bonito, e eu fiquei pensando sobre a nossa responsabilidade pessoal de representar um pouco mais da personalidade de Deus, quando nós e nossos amigos passam por dificuldades e problemas... sobre a tarefa de não apenas trazer mas SER uma mensagem de paz, de amor e de esperança. Me perdoem se eu falhei nisso. Mas peço que Deus os abençoe, meus queridos colegas.

O baile superou as expectativas de todo mundo... principalmente as minhas. Estava tudo tão lindo! A banda Joy, como sempre, animou tudo e pôs todo mundo pra dançar. O Alysson, como sempre, cantando muito bem... e aquela presença dele me prende. Ele é fera! Quero fazer aulas com ele. A comida estava maravilhosa. o open bar ótimo, tudo muito bom. Valeu demais toda ralação!!!

A colação foi a mesma coisa de sempre... mas eu fui a oradora. Depois coloco aqui o texto do discurso que eu fiz.

Bem, estou lendo o livro "Cartas Brejeiras", do poeta baiano Ivan Braga. Uma delícia. Postarei também uma poesia dele.

Li o livro "A Cabana, do William P. Young. Recomendo. Uma história muito comovente.

Comecei dia 22/01 num trabalho novo, e os documentos que estou organizando têm me feito pensar muito na relação estreita entre violência e pobreza, pobreza e trajetória dos negros no Brasil, Brasil e expectativas de futuro. Penso que a possibilidade que voltei a ter de ler livros, assim, sem preocupações, têm feito com qu eeu consiga estar mais sensível com o mundo ao meu redor, com as minhas emoções... com a poesia, o sexo, as amizades, as pessoas... estou mais sensível. E isso me deixa feliz. Não quero que a realidade, o trabalho ou as obrigações me "embruteçam".

Voltei a escrever poesias, e até recebi um elogio do meu querido Nelson Botter Jr. ADORO ELE!!! Fiquei super feliz em saber que ele não comenta mas vêm aqui. Espero que ele volte a escrever mais no Blônicas.

Aliás, espero muitas coisas para este ano...

Um beijo para todos vocês!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Eu apenas queria que você soubesse

Eu apenas queria que você soubesse
Que aquela alegria ainda está comigo
E que a minha ternura não ficou na estrada
Não ficou no tempo presa na poeira
Eu apenas queria que você soubesse
Que esta menina hoje é uma mulher
E que esta mulher é uma menina
Que colheu seu fruto flor do seu carinho
Eu apenas queria dizer a todo mundo que me gosta
Que hoje eu me gosto muito mais
Porque me entendo muito mais também
E que a atitude de recomeçar é todo dia toda hora
É se respeitar na sua força e fé
E se olhar bem fundo até o dedão do pé
Eu apenas queira que você soubesse
Que essa criança brinca nesta roda
E não teme o corte de novas feridas
Pois tem a saúde que aprendeu com a vida...

Gonzaguinha

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Eu, assim... como quem escreve uma notícia

Me empresta papel e lápis
E eu te dedico uma canção
Um desejo de apagar a dor
um abraço
um afago
um aperto
Um laço
atando os braços
do meu coração
aos teus braços
às tuas mãos

Traços de escrita nova
no cheiro da minha nanquim
Pra eu te segurar
Pra você ser livre
E ter os teus textos
pra mim
e o som das tuas baladas noturnas
Pretexto
e prosa
e o balanço das tuas crônicas
assim, rotineiras
e o sabor dos teus dias
da tua poesia
e da tua correria

No gole da tua cerveja
no teu bloquinho de anotações
de onde passam assustados
afastados
os versos que usas
para ligar corações
ao teu

E o meu coração quase ateu
plebeu
sem te conhecer
já sabe que é teu
e de mais ninguém.






Elizabeth Maia


As multidões

Nem todos podem tomar um banho na multidão: ter o prazer da turba é uma arte. Só assim se pode oferecer, à custa do gênero humano, um b...