sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

DESCONFORTÁVEL

Tenho um corpo emprestado
num terno puído
e um nó de gravata
¬de entristecer domingos.

E não me basta um só tropeço.

A cidade não é o meu lugar;
o trabalho não é o meu lugar;
seu amor não é o meu lugar.

Tenho um jeito de quem chegou primeiro na festa de um desconhecido. Ninguém me conhece. Mas me tratam como amigo. Como, bebo e passo mal no banheiro. Vou embora desacompanhado. E os demais se perguntando: quem era fulano? Um parente distante? Um fantasma? Um abacate?

Como seria
se um dia
eu acordasse
satisfeito?

(...) com o amor, com o dinheiro, com o corpo, com o emprego, com o almoço ou a quantidade de água que sai do meu chuveiro.

Talvez morresse de tédio
Talvez fosse feliz
Talvez fosse médio
Talvez.

Flor distraída do asfalto
quem te pisa?

Gilberto Amendola, 33, é jornalista e escreve no Haja Saco às quintas-feiras

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Olha... está chovendo na roseira...


Acolha este beijo
E um cheiro nos olhos
Como criança que colhe uma flor
Afago na alma
Chorinho no Fado
Carícia, carinho
Borracha na dor

Cochile em meu braço
Sorrindo seguro
Lá fora a chuvinha
Velando teu sono
Num banho longo
E sem pressa
Leva uma prece
Água que desce
Inconfessa
Avessa
Indefesa


Respire comigo
E sinta o que eu sinto
Silêncio. Os meus sinos
Te querem contar
Delatando, singelos
Amores semeados,
Colhidos, lavados
Guardados
Para te dar.

Elizabeth Maia



"Chuva vai, chuva vem...
Chuva miúda não mata ninguém
"

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

O que é a música brasileira?

Esse:



Ou esse?



Ou a pergunta seria... parafraseando meus colegas de Natal, da companhia de Angela Castro... "Para que serve a música?"

Hoje é sexta-feira. Será que a imprensa sabe?

Oi gente!
Hoje, como a maioria das manhãs que acordo para sair com o meu marido, ligamos a tv para assistir o "Bom Dia, Brasil" (que de "bom dia" não tem nada) e ficamos atentos às notícias, com o intuito de nos atualizarmos, essa coisa estúpida de você querer saber o que se passa ao seu redor. Ao longo dos minutos que se passavam durante nosso silencioso café fui percebendo que o Paulo estava ficando emburrado, monossilábico, irritado... Achei estranho, mas preferi não comentar.

Terminamos o café, tomei banho, me arrumei para sair, peguei minhas coisas, desliguei a tv, e partimos.

No carro, como sempre, uma das primeiras providências é ligar o rádio. Ele gosta de ouvir a CBN, eu gosto de ouvir música mas, para não contrariar o já emburrado rapaz, fiquei escutando a CBN... caladinha. rs... Depois de um certo tempo, como o Paulo, fui ficando impaciente, incomodada... nervosa!

Depois percebi a causa do nosso nervosismo, e me perguntei: qual a necessidade, validade, ou qualquer idéia que justifique a exposição de TANTA DESGRAÇA, tanta notícia ruim nos jornais da tv, do rádio, da internet, do sms no celular... pra quê mostrar tanta guerra, tanta dor, tanto sofrimento, em doses tão cavalares, de forma tão cruel, tão explícita? Pode contar... se você tiver tempo de sentar no sofá e fazer um mapeamento das notícias da tv, cedo de manhã, quando as famílias se reúnem para uma de suas poucas refeições juntas... compare a quantidade de notícias boas, ou curiosidades, ou matérias bacanas, construtivas, com a quantidade de notícias sobre acidentes de trânsito, morte, guerras, corrupção, violência... Mudamos de estação e procuramos uma música tranquila.

Cara, isso estressa qualquer um! Não tem humor que resista. Não tem esperança e força que aguente! A pessoa ouve tanta coisa ruim, e ainda tem que administrar suas próprias dores e dilemas... mermão... notícia de manhã é pra cortar os pulsos...

Hoje é sexta-feira. Dia de ficar feliz, de começar a relaxar, de reunir os amigos, de aproveitar a vida. Se bem que todo dia é dia de ser feliz. Mas sexta é um dia especial. Aproveite a vida. Esqueça o mundo e as notícias ruins. Viva!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Quer um pedacinho? Aí está:



Amazonas moreno,
tuas águas sagradas
são lindas estradas
são contos de fadas
ó meu doce rio
A canoa que passa
O vôo da garça
as gaivotas cantando
em ti vão deixando
o gosto de amar
É o caboclo sonhando
que entoa remando
o seu triste penar.
Neste poema de bolhas
que ressoa nas folhas
da linda floresta
do meu rio mar
Neste poema de bolhas
que ressoa nas folhas
da linda floresta do meu rio mar
é o caboclo sonhando
que entoa remando
o seu triste penar
neste caudal tão bonito
que é o desejo infinito
de plantar meu grito
nas ondas do mar

Amazonas Moreno - Raízes Caboclas
Foto: Elizabeth Maia - Manaus vista do avião, dia 07 de janeiro de 2009.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Esses sentimentos...

Tenho inveja, não me recrimine,
Do teu estilo de vida
Das tuas idéias joviais
Dessa tua boca larga que torna teu sorriso
Essa coisa assim,
Deliciosa
Desconcertante.

Tenho inveja dessa tua energia
Infecto contagiosa
Desse teu jeito de ver a vida e o amor assim,
Como quem acaba de descobrir um doce na geladeira

E toda vez que você chegar perto de mim
Vou te absorver
Como água em esponja seca
Toda vez que você vier assim,
Expansivo como sol
Eu vou me bronzear da tua presença
E vou ficar assim,
com uma lembrança de ti
em mim.

Brasília, 10 de dezembro de 2008.

domingo, 11 de janeiro de 2009

Começando 2009

11/01/2009


Oiê!

Tudo bem? Domingo lindo, né? Adoro estar em casa.

Bem... vou falar de 2008, não apenas porque sou a própria "saudosa maloca" rs... mas principalmente porque eu acredito que quando uma pessoa avalia a trajetória fica mais fácil de se organizar para receber o futuro, para aproveitá-lo da melhor maneira possível... o que é completamente contraditório se eu for analisar o que eu disse sobre passado e futuro há dois posts atrás...rs... Mas, e daí?

2008 foi um ano muito bom pra mim, não só pelas minhas conquistas materiais, mas principalmente pelo que eu cresci como ser humano. E eu sei que é muita pretensão dizer que eu fiquei "melhor" quando na verdade eu sou tão podre quanto todas as pessoas más espalhadas por aí, mas o que eu vejo de diferença em mim é que eu tenho conseguido olhar para minhas próprias falhas e feridas, e ao invés de lambê-las, eu, as vezes, tenho coragem de colocar remédio. E isso não foi fácil.

Em Manaus eu me lembrei de como eu era, e vi que em 2008 venci uma falha que hoje me irrita profundamenete: a falta de palavra, principalmente no que se refere à honrar compromissos. Vi que hoje eu lido razoavelmente bem com a preguiça... e vi que eu preciso melhorar enquanto dona de casa..rs... meu irmão Eliseu está cozinhando maravilhosamente bem, e a Elisa sempre mandou bem na cozinha... enquanto eu, só sirvo para a hora de extrema urgência, onde se frita um ovo, ou se abre uma lata de atum, e assim não se morre de fome. Meu maridinho merece coisa melhor.

Em 2008 eu também tirei carteira de motorista, eu e Paulo compramos nosso primeiro apartamento, eu concuí a graduação (e eu achei que nunca poderia dizer isso... estava pensando que havia alguma maldição que me prendia à UnB. Deus me guarde!). No geral, foi um ano excelente.

Mas sempre se quer mais... e eu não consigo mais olhar para este post... to editando ele há dias... vou postá-lo assim mesmo.

Bjins pra vcs. Voltem sempre... aliás, voltem outro dia porque hoje já está tarde e eu já perdi a paciência. Fechou?

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Resumo das férias

Foto "Barcos de Manaus", de Daniel Sebastiany


Oi gente!

Tudo bem?

Eu estou ótima. Cheguei a Brasília na última quarta-feira, por volta de 21h. Meu vôo de volta foi tranquilíssimo e eu fico feliz por voltar para minha casa e meu amor. Eu acho lindo ver a Amazônia de cima... o Encontro das Águas, a mata cortada pelos rios e igarapés... a lua prateando os lagos... perfeito!

Bem, resumindo minha viagem, vou colocar em tópicos:


O melhor: reencontrar as pessoas que fizeram e fazem a minha vida ser maravilhosa: amigos da escola e da igreja, minha família: papai, mamãe, tios e primos, minha vovozinha... Conheci os novos filhos da família Maia; conheci os filhos da Michelli, da Milena e do Felipe... só nasce gente linda! Foram muitos abraços. Voltei com a bateria carregada para viver mais uns duzentos anos;
O estranho: quando eu chego em Manaus me sinto como se tivesse 17 anos. Volto às coisas boas e ruins da idade. Me sinto uma rebelde... uma “sem lugar”. Me sinto uma garotinha. Me sinto mais bonita. Me sinto “a bala que matou Kennedy” heheheeh. De fato, emagreço muito! Emagreci visivelmente em duas semanas;
O que me chocou: voltei assustada com o trânsito! Como já disse há alguns posts atrás, dois amigos queridos morreram nos últimos tempos. O trânsito é caótico, desorganizado. As pessoas agem como se estivessem vivendo o apocalipse. Voltei com muita coragem de encarar o trânsito no DF.
O que eu comi de mais gostoso: comi muita pupunha, na casa do meu pai e na casa do Felipe. Tomei tacacá, tomei sorvete de frutas regionais, tomei açaí gelado... aff... comi bem demais!
Evento mais divertido: encontrar as amigas do segundo grau, no Studio 5, para papear e rir.
Evento mais emocionante: peça de Natal na igreja onde eu cresci, e rever os amigos de lá.


Bem, não me acostumo mais com o calor. Transpirava o tempo todo.

Choveu menos do que eu esperava, e eu pude aproveitar melhor a viagem.

Pensei muito durante toda a minha estada. Pensei muito sobre tudo, principalmente sobre quem eu sou, e o que eu gostaria de trabalhar em mim para ser um ser humano melhor. Pensei muito no meu casamento e agradeci a Deus por ele.

Enfim... Manaus é boa quando se tem pessoas queridas: saímos, comemos, demos risada da vida, choramos juntos, falamos com Deus, tiramos onda... Aproveitei. Descobri que sou mesmo muito feliz. E agradeço a Deus pela vida boa, cheia de coisas e pessoas boas, que eu tenho.

Nos próximos posts vou falar do ano de 2008 e 2009. Um beijo pra vc. Feliz Ano Novo.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Manaus, 01 de janeiro de 2009 - 23h07

Comecei a escrever e me assustei com a data. Estamos em 2009... e o futuro é hoje!!!

Como me disse certa vez, meu amigo e leitor, o Rodrigo: "passado e futuro são coisas que não existem. O que existe é o hoje." Bem, eu peço licença para alongar um pouco a frase e dizer que "o que existe é o hoje e a urgência que eu tenho em aproveitá-lo!". Por isso eu acredito que precisamos de paz para viver, para correr atrás dos nossos sonhos, e dos momentos felizes... não acredito em discussões vazias, filosofia de boteco, conversas acaloradas que não levam niguém a lugar algum. Eu acredito que quando algo, alguém ou alguma situação nos incomoda, as arestas devem ser aparadas através do diálogo, através da identificação dos problemas... e busca pelas soluções... é isso aí: viva a aplicação da Matriz SWOT (fofíssima!) nos relacionamentos. :)

Em 2009 vamos caminhando e resolvendo nossos problemas, sem parar, sem fazer disso ou daquilo outro que te incomoda um bicho de sete cabeças.

Eu e Paulo brigamos pouco, e toda vez que isso acontece (dados o devido espaço, tempo e direito aos sentimentos ruins, birras, quebra-paus e etc... afinal somos seres humanos) paramos para analisar, já com a cabeça mais fria, qual o problema que originou o arranca-rabo, e quais medidas práticas podems tomar no dia-a-dia para não deixarmos que as diferenças venham nos agredir novamente, ou pelo menos não com a mesma intensidade. E assim a gente vai reconstruindo o cotidiano... e reinventando a relação dia após dia, aprendendo a viver em paz e com felicidade.

Assim eu gostaria de ser em 2009: gostaria de aprender a resolver meus problemas com meus amigos e colegas, durante a caminhada, sem ferir ninguém, sem machucar... aprender que o outro é sensível a certas atitudes, e achar um equilíbrio entre o meu limite e ondo próximo. eu quero aprender a viver em paz e em respeito com todas as pessoas. Eu quero aprender a repartir com justiça a "Faixa de Gaza" que me separa de todas as outras pessoas. Tomara que este também seja o desejo das pessoas que convivem comigo. E eu, prefiro aceitar o que a Bíblia diz: "no que depender de vós. tendes PAZ com todos".

Existe melhor desejo do que este, neste mundo de guerra?

E por falar em paz... estou morrendo de saudades do meu amorzão e da minha casinha... :)

Um 2009 cheio de paz para você! Bjokas manauaras!

As multidões

Nem todos podem tomar um banho na multidão: ter o prazer da turba é uma arte. Só assim se pode oferecer, à custa do gênero humano, um b...